segunda-feira, janeiro 28, 2008

Nascer e morrer!



Ninguém nasce bom ou ruim. Simplesmente nasce.
E após esse milagre de se surgir, começa o tempo de cresce e caminhar. E nessa caminhada para voltar ao pó da terra, a gente vai assimilando o que comemos, ouvimos, tocamos, cheiramos e vemos. Tudo isso vai nos transformando... O clima, o tempo, as pessoas,as pressões, os animais e as plantas que tocamos e que nos tocam e vemos vão nos transformando em algo muito diferente do que nascemos.Até a pele muda! A gente segue numa direção que mais parece uma reta no escuro. E caminhando a gente vai mudando. Não, realmente não dá para sermos o que fomos e dificilmente partiremos para a eternidade como estamos.Sempre algo acontece que fora está de nosso controle. Morremos diferentemente do que somos e surgirmos. Até nos nossos erros e nas tentativas de acertos, não da para voltar ao ponto de partida, pois a partida sempre será outra diferentemente daquela que desejamos, pois queremos nos consertar. A verdade é que hoje, com os acertos e os erros, somos pessoas diferentes. E isso frustra a gente e as expectativas daqueles que esperam que voltemos a ser o que não podemos mais, visto que mudamos irreversivelmente quanto ao estado anterior. Mas isso não é o fim e nem pejorativo. Podemos ser inéditos. Isso é novidade de vida. Sermos inéditos. Superarmos as expectativas ultrapassadas e utópicas do que fomos. Não dá para ser o mesmo filho, o mesmo pai, a mesma mãe, marido ou esposa. Não dá para ser o amigo que fomos, discípulo, seminarista, mestre ou pastor. Parece poético mas não é. È a realidade com suas construções e em muitas dessas, licença ou permissão para coexistir não existe, não há. Também precisamos entender que o próximo mudou. Ele não é mais aquele indivíduo que deixamos quando partimos ou quando nos isolamos ou fugimos. Doloroso e uma perda de tempo ter tal expectativa. Se tivermos tal elucidação e perspectiva, as lágrimas derramadas regam nossa existência e nossas dores sofridas adubam fertilizando o solo de nossa alma, assim crescemos rumo donde partimos, e como um milagre, dizemos adeus ao que nos cercam e nos querem bem, isso sem desespero ou mágoa não resolvida.

domingo, janeiro 27, 2008

Lembranças...


Fiz encontro de jovens quando tinha meus 17 anos... Não entendia nada de igreja, sempre foi muito sozinho dentro da mesma e nem como as coisas funcionavam. Não sabia muito bem porque estava ali. Aliás, não sei nem quem me inscreveu. Não me explicaram. O que me foi dito, entendido por mim não foi. Não me enquadrei. Por que estou escrevendo isso agora? Por causa dessa música. Eu a ouvi pela primeira vez, quando terminou o encontro e eu estava no meu fusquinha, coloquei a fita cassete que ganhei no toca-fitas de bandeja do carro, e me lembro como se fosse hoje... Eu estava na avenida Contorno, na altura da antiga fábrica de açúcar União... Já era noite...Sem luar, era inverno e chuvia. Estava sozinho, como sempre vivi... Não, eu não tinha quem estivesse me esperando ao final do encontro. Não houve beijos ou abraços... Só meus olhares para aqueles que tão calorosamente foram recepcionados...Recebiam parabéns e afagos... Parecia aniversário ou algo assim. Ganhamos uma bolsa cheia de coisas, inclusive a fita-cassete e muitos papeis. Não havia nenhuma carta de algum conhecido... As poucas que recebi, foram de pessoas as quais nunca conheci. Por isso essa música me marca tanto. Foi , sei não estou enganado, a primeira que realmente me tocou de maneira muito especial. Ouvindo-a, Deus se tornou mais perto, a dor diminuiu, senti aconchego, ainda que sozinho... El Shadai, sim Ele me tocou... Não sabia o que o nome significava, mas não precisava... O nome se revelou... O perfume tomou conta de mim, me envolveu e senti paz. Paro por aqui...
Eis o link da canção:

Férias, chuva e televisão

Estive de férias em Angra e como o tempo nesses dias estava praticamente chuvoso em todo o Brasil, apesar de férias, ficamos mais dentro de casa do que passeando. Digo isso, pois foi devido a esse fato, que assisti uma audiência pública na TV Senado sobre a questão da publicidade na TV, e essa principalmente direcionada ao público infantil. Teve gente defendendo assim como atacando a publicidade infantil. Mas o que todos concordaram é que estamos extrapolando o direito, se podemos assim dizer, de manipular pessoas e formar opiniões, ainda que sabendo, que o modelo que estamos vivendo, seja o do capitalismo, por conseguinte, o do lucro a qualquer custo. Mas o custo tem sido muito alto. A questão de orientação para a análise do que se está vendo é muito irrisória, pois só se analisa algo, quando se tem pré-conhecimento do assunto e subsídio para experimento e julgamento de valor. Nosso povo infelizmente, como nação em desenvolvimento, ainda é muito inocente e ingênuo e muito aquém quanto à questão de analisar, discutir e mensurar o que entra pela tela de televisão em seus lares. Nesse contexto, as crianças são as mais vulneráveis, visto que não há como elas distinguirem, pelo menos assim demonstram os estudos, antes dos doze anos em média, o que é a realidade e o que é fictício, tornando o lúdico, caminho para o que é patológico e desvirtuado.
Bom, quanto a minha postura, não posso e não vou mentir. Sou parte dessa nação e me orgulho de ser parte desse povo tão receptivo, mas sei que é difícil ter uma postura crítica, pois muitas vezes não temos para onde correr, não há opção, e por falta de recursos, a TV passa a ser muitas vezes, a nossa única e soberana forma de lazer e entre nada e a TV, vence os programas de qualidade e intenção duvidosas que estamos assistindo. Devido a minha profissão e depois de algumas leituras esclarecedoras, hoje já consigo enxergar o que antes não enxergava, ou seja, a intencionalidade da mensagem clara ou não que é vinculada ao programa transmitido, isso muito, evidenciado nos telejornais, que dependendo da emissora, dá ênfase ou não a um determinado assunto em detrimento a outro. Percebi também que as novelas, ainda que retratando os conflitos, valores, pecados tão comuns aos seres humanos, seja romance, dor, traição, dinheiro, inveja, morte; o fazem de maneira parcial, fazendo moda e criando comportamento, como por exemplo:” Não é brinquedo não!” , que passou a fazer parte do linguajar popular depois que veiculado a uma novela do horário nobre. Dependendo da abordagem dada, o bom pode ser não tão bom e o mal se torna bonzinho. Mas na vida real não há espaço para essas manipulações.
A emissora de TV mais antiga do mundo, a BBC de Londres (veja que as melhores produções científicas televisivas são dela), ao ser criada, especificou quando da sua concessão ,que sempre haveria em seu espaço de programação, 20% do tempo dedicado a divulgação científica, e isso no horário nobre. Mas estamos falando de uma nação em que se lê em média, 45 livros por ano e muitas vezes em nosso país, um professor, quando lê, lê somente 2.
Sei que comercialmente passar uma programação de divulgação científica no horário nobre, seria comercialmente inviável, mas isso ocorre não porque o povo não gosta de ciências, é porque ele não entende ciências, e se não entende, é porque não lhe educaram para isso, e por isso, aceita qualquer coisa, estagnando mentes, usurpando possibilidades.