terça-feira, abril 24, 2007

Quando um professor morre


A televisão tem noticiado quase que ininterruptamente a violência urbana, marcada muitas vezes por balas perdidas, espancamentos, acidentes automobilísticos, dentre outras tais notícias de mesmo cunho.
Muitas são as formas de violências e muitas são as formas de violentar, mas quando essas culminam na morte, há uma comoção maior, sim, uma atmosfera de frustração, impotência, de indignação. Porém existe um fim muito mais trágico, muito mais desumano (se há alguma forma de humanidade na morte) e cruel; é quando se morre sem haver falência múltipla dos órgãos, sem sangue, sem vermelhidão e, sem grito de dor...
Nos filmes antigos, podemos ver profissões que hoje nos soam até engraçadas, como aqueles que acendiam as luminárias públicas, que, ao invés de serem à eletricidade, eram a querosene ou óleo. Ou, os maquinistas e cobradores dos bondes, hoje vistos somente circulando nos Arcos da Lapa, os Bondinhos de Santa Teresa. Os garçons também estão desaparecendo e os sapateiros idem.
Todavia maior tristeza é quando uma profissão existe, mas o seu exercício não, ou seja, ela é apenas nominativa, nunca ativa e muito menos reconhecida. A profissão morre quando ela se torna desnecessária, quando não há mais utilidade ou interesse por ela, visto que na dinâmica dos tempos, na corrente das certezas que surgem, não há espaço para o anacrônico segundo o julgamento de não se sabe quem. Se de fato a profissão morreu, antes disso, morre alguém, morre o profissional. Não de infarto, pois muitos escolhem tais profissões, não por “aperto cardíaco” ou por “atravancamento sanguíneo” mas sim por terem exatamente um coração espaçoso e desimpedido. São esses que morrem não em vida, mas sim morrem na morte de insistir ter relevância onde o desrespeito e a indiferença são as normas de conduta.
E no grito silencioso de socorro, de luta pela auto-existência e preservação, pelo direito de viver e coexistir, surge o golpe de misericórdia, aquele que deixa as emoções tetraplégicas, pois não permite movimentos, apenas os dos olhos para contemplar a miserabilidade, surge o ato de piedade. Piedade no lugar de respeito não traz conexão e sim, apêndice, anexo, nunca pertencimento, é aceitação, mas pondo de lado. Isso é que acaba sendo pior que a morte física, porque é uma eutanásia que não mata, mas sim desperta para a situação, sendo que trás consigo um nó na garganta, que não desce e nem pode subir, matando os sonhos por asfixia e essa sim, no próprio corpo físico.
Pois bem, é assim que um professor morre, morre de paixão, sim de paixão pois ama só, e sozinho alguém já disso, que não se pode fazer nada.
Morre de desespero de ver humanos desviarem-se da vocação de humanos serem, tornando-se o que vem antes de todas as violências vistas na televisão ou não, tornando-se os violentos de cada dia. Ele não morre porque não consegue fazer, morre porque não querem que ele faça e, minando suas forças, impedem que exerça sua profissão. Seria melhor dizer direto que não há mais utilidade nele , seria mais honesto, seria mais humano com a atividade e com o fazedor.Mas é difícil essa consciência, visto que dele não necessitam mais, por isso não a terem. Continua-se por fora e pára-se por dentro. E a labuta continua, os dias passam, a violência é aceita, é acomodada, e por fim, a vida real vira uma grande novela de muitos capítulos, mas os atores não passam de canastrões de sorrisos amarelados que escolheram atuar para fugirem da real situação de suas almas...

Pois é..... quando um professor morre.

Marcelo Pinto.

segunda-feira, abril 23, 2007

Ausência


Por muito tempo achei que a ausência é falta.

E lastimava, ignorante, a falta.

Hoje não a lastimo.

Não há falta na ausência.

A ausência é um estar em mim.

E sinto-a, branca, tão pegada, aconchegada nos meus braços,

que rio e danço e invento exclamações alegres,

porque a ausência assimilada, ninguém a rouba mais de mim.

Carlos Drummond de Andrade

segunda-feira, abril 09, 2007

Silêncio bom silêncio ruim...

Tem silêncio que é introspecção, é reflexão, é análise interior. Mas há outros que são gritos de vergonha e desespero sem força, de vida mortificada mas que não é renascer, é sim, apenas depressão e medo... Houve um profundo silêncio, o maior de todos, ouvidos por todas as criaturas criadas, um que ofuscou a adoração do quatros querubins e seus compatriotas, silêncio em resposta a uma simples e profunda pergunta: Onde tu estás? É incrível, mas até hoje, nós descendentes daquele que silenciou, assim como ele, estamos estupefados, perplexos diante da mesma pergunta e como nosso pai, não temos uma resposta exata. A falta de exatidão ou melhor, falta de resposta veio a produzir o mundo em que vivemos. Mundo triste, triste mundo, com muitos contentamentos mas sem efetiva alegria.Entre a pergunta e a resposta, evidenciamos guerras, mortes, angustias sem fim, pesares e tragédias que a cada dia se fazem mais evidentes...Parece que vivemos um tempo que não deveria existir, sendo assim, vivemos um lapso de tempo no tempo que existe, mas não vemos... Onde tu estás? Onde você está? Aonde você vai? Você pode responder? Please!

segunda-feira, abril 02, 2007

Não espere para começar a se movimentar na direção certa.







Nós temos a tendência de perder inúmeras oportunidades de pensar sobre coisas, de fazer mudanças, de melhorar. Com freqüência, continuamos seguindo o mesmo caminho, ainda que não estejamos felizes nele. É como se a nossa vida não passasse de uma seqüência de dias de aula, um após o outro, nos quais obedecemos ordens e fazemos o que imaginamos que esperam de nós. sabemos que chegará o momento da formatura, quando imaginamos que faremos algo diferente, mas, até lá, seguimos em frente sem questionar. Não espere que um acontecimento excepcional venha arrancar você da rotina para, então, examinar suas atitudes. trabalhe para tornar a sua vida pessoal tão satisfatória quanto possível. ( extraído do livro 100 segredos dos bons relacionamentos.)