quinta-feira, novembro 15, 2007

E a ficha caiu... Me dêm uma nova prática pedagógica!

Refletindo sobre Mudanças

Toda mudança envolve perda. E geralmente perda de algo que é estimado, ainda que pernicioso ou não. Nossa existência é como uma casa cheia de quartos onde guardamos muitas coisas que em geral, pensamos ter utilidade. Só que o tempo passa, as estações mudam, o novo fica velho, e o que reluzia se torna fosco.
O ser humano tem uma forte tendência em se acostumar, a se moldar à condição inerte do momento. Todavia, quando o momento passa, nós muitas vezes ficamos na ilusão do que já passou, impedindo o que se tem porvir. Tanta gente guarda tanta coisa que não serve mais para nada. Guarda fitinha, guarda bilhete, guarda carta, guardanapo, guarda contas, guarda caderno e anotações que já estão amareladas pelo tempo, guarda pessoas que somente são abraças das na lembrança, mas não no físico, visto que já não existem mais ou distantes estão. (tem até gente que beija um, pensando no outro, mas não vem ao caso). E assim criamos rotinas as quais nos dão muita segurança no que fazemos e nos auto-treinamos em sermos essencialmente previsíveis e imutáveis. Não estou dizendo que fazer as coisas com ordem, sistematicamente e lembrar-se de pessoas não seja uma coisa boa. O que estou dizendo é que a nossa vida não pode girar em torno do que somente aconteceu, mas deve ser mesclada com uma dose de ousadia saudável e impulsionaste. È redundante dizer que o mundo mudou. Todos sabem. Mas nós continuamos os mesmos. E qual o perigo disso? Rejeição. Um dos maiores medos dos seres humanos é de serem rejeitados. Se sentirem desacoplados do ambiente em vivem. Mas deixa eu dizer um segredinho. Muitos de nós já estamos fora, excluídos, desacoplados da nova ordem mundial proporcionada pela revolução das tecnologias de informação, pela crise econômica e social e pela onda dos movimentos sociais e culturais .Tá acontecendo, mas a gente ta vendo TV e TV não vendo. Sendo bem claro para mim mesmo: nosso jeito de dar aula já era! Passou! Teve seu tempo! E a nossa crise é que não dominamos realmente as TICs, e se as usamos, usamos apenas para florear as mesmices que há muitos anos, temos perpetuado. O uso de nossos computadores, pouco efeito teve na aprendizagem dos alunos. Nem o videocassete, a TV e muito menos o DVD tem realmente tido efeito eficaz na construção de conhecimento e na aquisição de competências. Muito me dói ver como mal escrevem nossos alunos no orkut. Me dói a falta de beleza e fonética harmoniosa nos diálogos estudantis. Não adianta apelar. Pode ser até que haja casos diferentes, contudo não são regra que deveriam ser. Preocupante é, querer possibilitar aos alunos “reescreverem” suas histórias utilizando o como lente, o mundo digital, conquanto nem mesmo conseguem “escreverem” com a lente do mundo gráfico/ cartesiano. Não vou chover no molhado. E sei que sempre haverão exceções, mas podemos dar X, Y e Z conotações pedagógicas para aquele vídeo que passamos para os alunos, mas o que no fundo realmente aconteceu, foi preenchimento de tempo ao acaso, porque já estávamos esgotados de um árduo dia de trabalho e já sem voz, decidimos pelo refrigério da aula dada não por nós, mas pelo aparelho de televisão, que se ensina algo, ensina para os alunos: como estão cansados nossos professores... Diante disso tudo, para não perder o que comecei a escrever lá em cima, a gente não consegue mudar porque temos medo do que é novo, do que é desconhecido e não queremo
s deixar a situação confortante daquele caderno de aulas que muitos anos estamos utilizando. Por isso somos rejeitados e estressados ficamos. Os “caras”, os alunos chegam com “maçarico” e a gente vai de “caixa de fósforo” .Jesus disse que não se coloca vinho novo em vaso velho. Vai rachar o vaso! E nem se põe remendo novo em pano velho. Vai rasgar! E não é o que está acontecendo? Tá quebrando. Tá rasgando. Quando a gente usa as mídias, a gente usa para dar aula ao molde do quadro de giz. Como lemos: Estamos fazendo as mesmas coisas, cometendo os mesmos erros, mas agora, de maneira diferente. Moderninho mas insípido. Gente, estou falando de mim em primeiro lugar e respeito quem pensa diferente, mas assim o penso. Muitos dos professores estão tentando algo fazer. Só que ta muito difícil competir com os caras que inventam esses apetrechos tecnológicos. Eles são muito rápidos. Esses tecnocratas e engenheiros andam muito mais rápidos do que nós. Quem deu aulas para esses caras??? Precisamos respeitar nossas limitações e nossas historicidades, mas precisamos acelerar. Ta tudo acontecendo rápido demais. Penso que muitas vezes o comportamento extremamente estranho de nossos jovens é devido ao fato de consumirem muito som, muita imagem, muita frase sem sentido, enfim, muita propaganda mesmo. Gente, a coisa ta feia. É muita gente desempregada, sem formação profissional adequada para pelo menos competir. Não posso aceitar a aplicabilidade dos conceitos darwinianos às ciências sociais. Isso é exclusão explicita! Contudo o mercado, deus desse século, é voraz e precisa de instrumentos de culto e sacerdotes e súditos, ainda que com suas castas. A gente precisa muito deixar aquele caderninho de anotações, aquelas provas que a anos estamos repetindo e cair dentro do computador. Destruí muitos brinquedos quando criança. Não pelo simples fato de expressar um instinto destruidor, mas para ver como eram feitos. Ta na hora de “desmontar o computador”. Ficar mais a sós com “ele” e desenvolver um vinculo mais estreito. Creio que nossos alunos nos imitarão. Não sei se teremos dinheiro suficiente para implementarmos nossas particulares e intrínsecas mudanças, mas tentaremos.
Dalai Lama respondeu uma vez, ao ser questionado sobre o que era espiritualidade:” Espiritualidade é aquilo que causa uma mudança em nosso interior.” Acho propício para por aqui. Um abraço a todos e a todas.

segunda-feira, novembro 12, 2007

Assassino da paciência.


Assassino da paciência!
Outro dia estava no Detran, fazendo vistoria da moto, quando por não sei porque cargas d’ água, me vi conversando com outro sofredor, refém da letargia e morbidez burocrático do Estado, onde reclamávamos e nos identificávamos em nossas lamentações. Foi quando surgiu aquele papo de que moto é perigoso, e que todo mundo já conheceu alguém que já morreu em acidente de moto, ou conhece alguém que conheceu alguém que morreu devido ao veículo citado. Nessas vias de estórias ou histórias que mais servem para apressar o ponteiro do relógio, ele me contou que teve um amigo que estava com ele na praia, num domingo ensolarado de verão, onde brincaram e se divertiram muito. Amigo esse, que ao voltar para casa, em casa não chegou, visto que depois de um acidente de moto, veio a falecer no mesmo local do acontecido. Quando ele chegou em casa, já bem mais tarde, à noite, sua mãe disse que tal amigo havia morrido já a algumas horas. Retrucando ele com sua mãe, atordoado exclamava que não era possível, posto que a imagem que ficara, era da despedida na praia e impossível acreditar na notícia. Onde quero chegar com esse relato? Já explico. O rapaz tinha morrido à tarde e ele só ficara sabendo à noite, quando chegou em casa, pois a mãe foi avisada por uma vizinha que tinha telefone convencional, visto que era luxo possuir um, e que tal era agraciado, geralmente se tornava a central de recados da rua, talvez até do quarteirão inteiro. Fiquei então pensando nas coisas que “meu companheiro de suplício’ estivera fazendo nesse ínterim, entre a morte e a notícia da morte do colega. Creio que muitas coisas... Com todo respeito à dor dos familiares do rapaz falecido, mas creio que a vida do colega vivo continuava normalmente, independente do fato de morto estar, seu amigo que na praia, se despedira. Talvez ele tenha, comido, gargalhado, refletido, nadado, dirigido, paquerado, feito compras, planejado muitas coisas e feito muitas coisas, apesar de morto estar seu amigo. Hoje, não somente o telefone convencional foi popularizado, assim como os aparelhos de telefonia móvel, os celulares. Quase todo mundo tem. Pode não ter livros, geladeira, computador, internet, mas TV e celulares, creio que têm, ainda que muito faltando. Se hoje acontecesse o fatídico fato relatado, o celular adiantaria a notícia. Ele teria sabido muito mais rápido, da morte do amigo. E muito mais rápido, teria entristecido, talvez se culpado, não teria feito muita coisa que fez, posto que o celular a paz lhe roubara.Mesmo se morte não houvesse acontecido, tensão surgiria da notícia que a nós, afligiria. Não sou insensível e respeito o luto das pessoas, mas o que quero dizer é que o enterro não foi antecipado porque a notícia assim o foi. O luto dos parentes não foi amenizado porque a notícia da morte logo se estendeu. As lágrimas não foram reduzidas porque o tempo assim o foi. O rapaz não ressuscitara porque o celular assim tocara. O que quero dizer e onde quero chegar; é que não sei o que tanto as pessoas têm a dizer uma as outras, que não possa esperar o encontro face a face. O que é tão urgente que separa gente e a gente fica sem gente ver, posto que apenas as ouvimos através de ondas magnéticas? Quantas tensões são geradas pelas expectativas de tragédias que são adiantadas pelo simples fato da falta de paciência das pessoas se encontrarem? Quantas vezes ouço: “Por via das dúvidas, vou ligar para fulano...” Ora, não é por via das dúvidas que se é possível viver, mas por via das certezas ainda que cambaleantes, e essas, precisam de tempo para assim tornarem verdades e não podem prematuramente, nascerem! Certezas precisam de tempo, mas as dúvidas podem e geralmente são de “ sete meses”. Penso que os celulares têm roubado nossa paz. Nossa paz no restaurante, nossa paz na escola, nossa paz no trabalho, nossa paz no orçamento, nossa paz na conversas entre amigos. Não vi o mundo melhorar com o advento do celular. Sei que estou trazendo polêmica, mas polêmico não sou. Apenas relato o que penso, sempre respeitando o que não penso, mas é pensado por meu próximo. Outro dia até vi na TV, extorsão via celular. Sei que em alguns casos, foi por ele que se chegou ao refém, mas mais estragos fez, do que emancipou. Quantos assaltos, quantos mortes por causa dos celulares. E a moda dita a moda. Agora se troca de aparelho, como se troca de roupa, já não é ferramenta tecnológica, mas sim, ornamento vestuário e instrumento de competição vaidosa. Chique é não ter e se assim impossível for, bárbaro é evitá-lo.

sexta-feira, novembro 02, 2007

Compaixão!


Tenho ouvido muita gente falar em compaixão nesses últimos tempos. Mas vendo esse vídeo, passei a entender um pouco mais sobre o assunto, ainda que muito longe de realmente internalizá-lo, com a protagonista o fez. Aprendi que compaixão é ação, saudade, expectativa, perda, disfuguração da auto imagem, doação e exposição. Bom, não quero estragar o que as imagens podem por si só, dizerem muito mais do que muitas limitadas palavras.

Quem tem olhos, que vejam, que até os cegos enxergam! video

quarta-feira, outubro 31, 2007

A tecnologia dos "Tempos Modernos" e suas mídias


Realmente estamos vivendo um novo tempo. Tempo que apenas era vislumbrado nos filmes do tipo “Jornada nas Estrelas”. Nossa vida hoje está permeada de “meios” que visam facilitá-la, dinamizá-la e que a princípio devem proporcionar prazer, fazendo com que a vida seja mais agradável e interessante. Tenho um amigo que um dia chamou a mulher para almoçar, pegou um táxi para o aeroporto, pegou a ponte aérea, foi a São Paulo, num restaurante muito chique e à tarde já estava em casa, tomando café com os filhos. Isso é que é futuro! Fui bancário num tempo em que o saldo era retirado de uma listagem monstruosa não atualizada, que refletia o saldo do dia anterior e a cada depósito, tínhamos que anotar à caneta seus respectivos valores. Hoje, pago minhas contas pela internet sem sair de casa, contudo ainda vejo filas nos guichês bancários...
Somos essencialmente artísticos. Criamos e recriamos a todo o momento. Temos o dom de interferir na natureza, expressá-la, moldá-la, e até mesmo destruí-la, como assim temos feito infelizmente. Li que o conhecimento humano tem dobrado a cada cinco anos. Isso me assusta, pois me parece que não há mais limites para o que se possa fazer e o conhecimento que surge, surge já sendo obsoleto. Criamos ferramentas tecnológicas que muitas vezes estão muito além (de como cidadãos comuns) de nossa capacidade de utilizá-la. Nosso biológico, como disse, é biológico, é carne e tem seu tempo de acontecer, de fazer, de compreender e por isso precisa ser respeitado. Quando penso num simples despertador nos acordando pela manhã, é claro que isso é bom, é tecnologia, é facilidade, é pouparmos de atrasos e constrangimentos. Mas nosso corpo não é metálico. Tem dias que precisamos ter mais tempo, dormir um pouco mais, ainda que o despertador insista. Precisamos de tempo e o que a tecnologia com suas facilidades não criaram em nós, foi o discernimento de entender que ela, a tecnologia está ao nosso serviço, e não nós dela. Criamos ferramentas que são verdadeiros atalhos para se atingir determinado objetivo, mas o tempo que nos sobra proporcionados pelas novas ferramentas, não são investidos no nosso biológico, e muitas vezes nem mesmo nos relacionamentos interpessoais. Nesse vácuo de tempo, embrenhamos em novas atividades, novas tarefas, novos empreendimentos que penso se realmente seriam necessários ou estão em seu devido tempo de acontecer...
Fico a pensar em como era o mundo sem os carros, sem TV, sem o computador. Aqui fica uma questão, será que essas facilidades estimulam nossa capacidade artística ou nos “freiam”, nos “tolhem”? Talvez, se o mundo nosso de cada dia fosse menor, mais reduzido, não seria mais explorador por assim ser? Será que não veríamos mais as pessoas de carne e osso se não tivéssemos as de elétrons que nos aparecem nas telas de televisão? São questões que permeiam minha limitada capacidade de pensar e refletir... Pensávamos que a ciências iria resolver as questões humanas, mas isso não foi verdadeiro. Deixo claro que não sou contra a essas novas tecnologias, contra ao moderno, estou, estamos inseridos num mundo tecnológico, mas creio que a questão vai além, vai ao nível de sabermos quem somos nesse planeta, para assim não tornarmos o que não queremos ser, ainda que sendo sutilmente, na correria de nosso dia-a-dia...
È apenas um opinião.

Continuando...

Muito bom a parte conceitual dos termos que utilizaremos.
Mídias=meios.

O homem desde sempre procurou passar idéias, emoções, fatos e desejos aos seus semelhantes, ainda que o suporte, a mídia seja a parede mal iluminada de uma caverna ríspida e úmida. Quando digo semelhantes, me refiro aos da mesma espécie visto que um animal irracional não contempla o artístico e a beleza da arte em suas perspectivas. E o suporte, ou seja, a mídia, ou melhor, as mídias, evoluíram. Da parede para o barro, desde para a madeira, metal, papiro, papel, prensas, ondas eletromecânicas, até chegar aos ” logaritmos informáticos”, e a armazenagem no ciberespaço. Já dizia o velho guerreiro: ”Quem não se comunica, se trumbica”. Profecia!
Temos hoje ao nosso dispor, agora numa questão mais restrita à educação, o que chamamos de TICs (Tecnologias de informação e comunicação). Por muito tempo e sou desse tempo, o professor, (já ouvimos isso), era o receptáculo do saber. E não somente receptáculo junto com o livro, mas ele mesma era a mídia. Mas assim como as estações mudam, os tempos se tornaram outros tempos, muitos mais modernos do que “Tempos Modernos” de Charles Chaplin. Temos a informação disponibilizada, oferecida, ofertada por assim dizer. Temos a TV que dita moda e comportamento, o rádio que nos informa, no top, a internet, onde assim como na fábula do gênio da lâmpada, esfregamos não com uma flanela, mas com nossos dedos as teclas, o gênio chamado ‘google’ nos atende mais rápido do que aquela fumacinha que saída das lâmpadas quando o gênio (adorava a Jeannie é um gênio!) aparecia. Mas cabe aqui mais uma vez espaço para minha índole filosófica futebolística de mesa de bar: Temos a lâmpada (o computador), temos o gênio (google por exemplo) mas nos falta saber pedir... Estamos confusos com os ‘três desejos’ .Também ainda de nesse espírito, não sei se realmente as TICs democratizaram a informação, creio, fazendo uma analogia de menino, seria como uma prateleira de mercado com doces, mas muito alta para as crianças pequenas.Estica-se a mão, mas nada se pega, ainda que na ilusão de se estar se deliciando. Penso que aqui cabe o professor de hoje, ser aquela escadinha que possibilite as crianças e os jovens atingirem o produto (a informação) nas prateleiras das TICs. Orientando a fim de que essa informação agora visível e acessível se transforme em conhecimento, e esse gere competências tal que possibilite a mudança do ‘status quo’ de cada um, desenvolvendo cidadão cada vez mais plugado num mundo que não é mais o que tínhamos quando crianças éramos. Mundo esse onde a desigualdade social é o pior dos demônios e em que a liberdade é uma liberdade na qual podemos comprar o que quisermos, mas não temos com o que isso fazer, posto que condições não termos, visto cada vez mais excluídos somos, não dos produtos, mas
da condição de obtê-los.

sexta-feira, outubro 05, 2007

Metade! Osvaldo Montenegro

Esse vídeo parece que foi feito para mim . Muito bom! Sempre volto nele para rever meus conceitos e refletir em minhas ações ou omissões que são tão comuns em meu dia-a-dia.

video

domingo, agosto 12, 2007

"Vem dançar" Mesmo que não sejas professor...

Colégio Santa Terezinha

Análise do filme: “Vem dançar”Sábado, 04 de agosto de 2007 (reunião pedagógica)

Bom na verdade, continuo achando que a abertura de pernas da loira do filme nos daria subsídios para trabalhar em todas as áreas das disciplinas. Mas vamos falar sério.

Vemos no filme duas realidades. Digo duas, pois em nós sempre temos a tendência de dicotomizar as coisas. Que de fatos assim o são, mas porque assim são, não quer dizer que assim deveriam ser.Dicotomizamos praticamente tudo. Amor versus ódio, fé versus incredulidade, alunos fracos versus alunos fortes, bons professores versus maus professores, inteligentes versus nem tanto assim, Deus versus diabo e assim por diante. Dicotomizar é separar, e dilacerar, é rasgar, por rasgar, muitas se vêm à sangrar. Digo sangrar devido ao fato que se não encararmos honesta e sinceramente que não há como agir, pensar, trabalhar eximindo de nós, aquilo que em nós é mais forte, ou seja, nossas emoções. Sim são duas realidades ( as escolas dos alunos e a escola de dança), mas que em todas, as emoções estavam presentes...
Também difícil é, transcender a realidade física, o que vemos e “cheiramos” é muito forte em nós. Por isso acontece de errarmos impiedosamente nos nossos julgamentos. Sim julgamos e muito o fazemos. Podemos e temos feito isso como muita facilidade e constância, porém muito temos errado. Nossos alunos não possuem nossos valores, mas podem possuir apreço e afinidade , senão por a nossa “moral”, possuírem por nossa pessoa, nossa história, que não é a deles, por nossas alegrias e frustrações também. Quando digo com nossa “moral”, me refiro ao nosso tipo de música, nossa aptidão artística, nossos “hobies” , nossa disciplina em que nos formamos e pretendemos ensinar...Por isso, por muito ouvirmos mentiras, em algum momento condenamos a verdade que nos é d
ita. “O aluno no filme estava dizendo a verdade apesar do rótulo que possuía de baderneiro.”

Outra coisa é que todo mundo “tá” fazendo alguma coisa, ou certa ou errada, “tá” fazendo alguma coisa. Não há nem silêncio sem ato explícito ou não nesse, nem barulho sem finalidade, pode até ser expressão de socorro e grito de desespero. Mas todo mundo “tá” fazendo alguma coisa. Na sala de aula ou “tá” estudando ou “tá” fazendo outras coisas, não há isenção, há ação sempre. Mas passa-se desapercebido que temos escolhas, sempre temos escolhas. Não queremos ter essa realidade ( de que temos escolhas) porque isso não nos permite transferir responsabilidades e culpar outra pessoa. A verdade é que o aluno não aprende porque não quer e eu não ensino porque eu mesmo não assistiria às minhas aulas. Vai dizer que discorda? Olha a transferência aparecendo aí, devagarzinho, mas aparecendo...
Lá vou eu de novo!
Estamos batendo palmas ao avesso!Isso dói!!! Nossas falas são de derrotas, constatação de crises, e de crises em crises estamos vivendo. Não vejo ninguém propor soluções viáveis, isentas de auto-promoção, isentas da necessidade de aparecer e de ter a última palavra. Isso é frustração incubada!!!! Estamos sempre nos conselhos de classe reclamando, chorando pelos aluno
s que de fato nos atrapalharam,nos afrontaram, nos desarticularam, quando as vitórias não são louvadas e os sucessos são afogados.O que é bom não é visto. Perdemos o foco. Perdemos o domínio da turma e a turma perdeu-se de si mesma. De bússolas que seríamos, escravos amarrados aos remos nas recamaras do barco, nos tornamos (lembram daqueles barcos antigos???).
Perdemos as boas maneiras. Digo boas não porque são clássicas ou “elitizantes” ou dos ricos, digo que perdemos as boas maneiras, porque nos portamos de ma
neira confusa, não nos mostramos, mascaramos. Até nosso “boa dia” gera desconfiança. Sim as regras de etiqueta são importantes, mas o que vale é o “tecido da camisa” o “pano”, quem você é e não a etiqueta que possui ou pensa ter. Pois se a etiqueta é verdadeira,e de fato o é (bom dia, com licença, muito obrigado, etc.) , a camisa é “paraguaia” ( que maldição dos paraguaios!!!), é falsa, a carne não é de “1ª” e a gente tenta fazer bife, não dá certo, mastiga-se, mastiga-se mas não dá para engolir. E aí, a gente cospe para todo o lado, sujando todo mundo...

Bom tem muito mais e tenho tempo hoje. E lá vamos nós!!!!

Tente sentar na aula de outro professor e vê se consegue dar sentido em sua mente de tudo o que ele escreve ou diz? Sejamos sinceros. Muitas vezes não entendemos nada! Até parece engraçado! Não há sentido. Não na matéria,digo que não há sentido mas em nós, no aluno, nessa relação que muitas vezes começa friamente ao quadro branco, com o pilot, (Ah! Gostaria de um verde!!!É possível???), enquanto tem gente lá atrás, que um aperto de mão, um beijo, um abraço, um oi, o traria para mas perto, para frente, sentar na frente sem de lá sair... Diante disso a gente, eu, você, os meninos, as meninas, a diretora, todo mundo ri, mas ri é de nervoso, devido a situaç
ão em quem ninguém se entende apesar dos estrépitos de língua que são ouvidos. A risadinha lá trás da sala pode ser de nervoso e não de afronta. Preciso ter esse discernimento...
Como biólogo, verifico que entre nossos irmãos “discriminados”, nossos irmãos bichos, que eles levam tempo para abrir seus instintos, anulá-los, e ter confiança no bicho chamado homem. Poderia ser diferente entre nós? Confiança é algo instantâneo? Você confia em alguém que nunca viu? Eu só em Deus. E nos motoristas de ônibus (mas por causa primeiro de minha confiança em Deus !). Antonio Bandeiras não conseguiu nada no primeiro dia. Não consegui e perdeu. Perdeu a bicicleta. Perdemos muitas vezes, a fé, perdemos a direção, perdemos a esperança. Tudo isso porque esquecemos que se leva tempo para conseguir, ou melhor, para construir confiança. Atenção! Devido à expectativa de ser esperar algo e nada acontecer, nos desesperamos quando nada vem e esse nada ainda leva algo de nós....

Prossigamos professores!!!

Nem todos têm talento para a dança. Isso é uma verdade. Eu, eu não tenho talento para a dança. Sou a prova. Você tem? Sempre tive problema com essa questão: Ter que realizar sem saber e sem ter mestre. Sem a receita. Bom, olhando para o passado, pulando alguns tempos, dias, concluo que houveram mudanças, coisas foram feitas, coisas aconteceram, outras foram destruídas, mas também houve construções. Sou uma dessas. Percebemos, se sinceros formos, — prestemos atenção nessa verdade — que , muitas vezes não temos ou não tivemos talento para o queríamos, mas se realmente queríamos, como de fato aconteceu, o talento ficou em segundo lugar. Assim é a vida. Talentos em determinados momentos e situações, precisam descer de nossa escala de valores e importância, para que possamos superar as adversidades que não
nos perguntam se somos capazes ou de superá-las.Nesse momento, deixo essa reflexão:” Muitas pessoas são capazes de realizar coisas extraordinárias. Outras pessoas são capazes de suportar coisas extraordinárias. O segundo grupo são pessoas extraordinárias.” O momento não é fácil. As coisas estão difíceis. A “caçada às bruxas”, se não começou, vai começar! É quando vou para mais um ponto, se ainda estivermos interessados. Eu sempre me incluo em minhas conversas com todos e comigo mesmo.
O professor precisa pensar. Lembram do filme? A “sacada” de Bandeiras levar aquela inspiração, levar a loira que conseguiu acabar com meu estado de pureza espiritual atingido com esmero naquele sábado (ás 6 horas da manhã, estava orando). Com isso ele conseguiu chamar a turma para perto e vamos ser sinceros, deixou de parecer um idiota para o grupo.Quando digo que o professor precisa pensar, chamo isso de “nó técnico” no time adversário. O time vai mal. As coisas estão ficando fora do controle. “Tá” na hora de mexer! Cada um é técnico de sua disciplina, sua mat
éria e como técnico, tem que fazer algum a coisa. Com livro, sem livro, ao quadro ou não, sentado ou em pé, retro ou não. Não somente os físicos me entendam, mas no magistério, — O MINISTÉRIO DA VIDA VIVIDA EM SALA DE AULA NOS ADVERTE — INERCIA, pode causar mal à saúde, à alma e ao bolso, não necessariamente nessa mesma ordem.
O amor é Universal.
Não, não somos, iguais. Temos gostos diferentes, paixões diferentes, gostos diferentes. Músicas, textos, temas, lugares, cores, paladares podem coincidirem ou não. Mas uma coisa é universal, o amor. As pessoas amam. Amam filhos, amam pais, amam netos, amam amigos, amam esposas, amam namorados .Amam até a si mesmas, que ao meu ver, é um amor patológico. Isso precisa ficar claro para quem lida com os jovens principalmente. O primeiro olhar de quem olha em sala, não é para o livro, é para alguém. A gente tem que ter isso em foco. Afetividade.Nós e eles vamos nos relacionar e nos amaremos em diversos níveis, inclusive no nível que lamentavelmente cito, o nível do ódio. Quando digo ódio como nível de amor, é que entendo que o contrário do mesmo, ou seja, o contrário do amor não é ódio, e sim o pior dos sentimentos, o sentimento de indiferença. Que mata sem ferir, que ofende sem dizer, que toca mas não sente, pois toc
a não como gente, mas como se estátua fosse. Esse nível é muito triste e triste o que temos visto. Muitos professores e alunos e funcionários e diretores desistiram...
Noutra situação do filme o rapaz pergunta a Bandeiras: “O que você quer”? O fato de não ter sido delatado por ele para a diretora em relação à destruição do carro da mesma, estava intrigando o rapaz. Aqui fica uma pergunta: “Ninguém faz nada de graça”? Será? Ou não será? Bem, o que me vem à cabeça nesse momento do texto— estou escrevendo como se uma gaivota fosse, atravessando o mar de marinheiro, no céu de brigadeiro— é que, o que entendo por graça , num sentido que ainda teológico, mas real em minha vida e na vida de muitos, é que ela significa favor imerecido. Sim é uma dádiva recebida por alguém que, como você e eu, pensa que ninguém faz nada de graça, mas quantas coisas recebemos que no fundo nada fizemos por merecer? È possível que possamos ser mercenários quando ao trabalho ( muitas vezes eu o sou, não me julguem), mas também deveremos ser quanto aos relacionamentos? Será que temos tão pouco que não possamos dar sem esperar em troca? Ou vivemos em todas as esferas como em “All Street”, onde se aplica diariamente na bolsa, esperando lucros fabulosos, lucros esses, frutos da miséria e da condição deplorável dos países pobres? Será que não fazemos isso? Eis mais uma pergunta que precisa ser respondida, e eu sinceramente não tenho resposta...
Vi também no filme uma coisa que acho que todos sabem mas acho que todos não sabem. Se já sabem, vão saber de novo, se não sabem, vão saber agora.
As pessoas reagem em momentos diferentes e de modos diferentes aos mesmos estímulos.
Quando digo reagem, me refiro não somente positivamente, mas também de modo que essa reação
de caracterize em verdadeira desmotivação. Somos apressados. E como apressados somos, impacientes nos tornamos. O impaciente enxerga mal. Por isso, conclui mal. Se concluir mal, faz o mesmo serviço muitas vezes para até que então, acerte, se assim o acertar.Mas perde tempo, e esse não volta mais. Precisamos ser pacientes. Não se aprende a dançar de uma hora para outra. Deixa-me falar uma coisinha: A gente pode até trabalhar no piloto automático, que as coisas ainda podem acontecer e resultados aparecerem mascaradamente. Mas se o aluno desistir meu caro, já era! Não há mágica que dê resultado, pois se ele não sair da escola porque não foi reprovado, sairá porque o ensino é fraco e ele nada aprendeu. Além do mais, podem sair por ele, outros que insatisfeitos ficaram, devido ao esforço que fizeram, ser comparado e medido com a balbúrdia dos que nada fizeram e assim sucesso obtiveram. Se correr o bicho pega se ficar o bicho come! Ponho minha fé no bambu japonês, que leva cinco anos sem gerar nenhum resultado, mas que no sétimo ano começa a crescer e pode chegar até 30 metros de altura! Sim, preciso não perder minha fé e ter mais uma vez, paciência para crer que ainda que não haja e por isso eu realmente não veja o bambu, as raízes estão lá, crescendo se desenvolvendo, nas “trevas” do subsolo. “Taí”, é uma boa sugestão. Ao invés de “cobras e serpentes” sermos, minhocas nos tornarmos. Para só assim arejar os e nutrir os terrenos ,nos quais as raízes daqueles que nada apresentam, nada tem, que sempre nos decepcionam, onde notas não há, estão a se desenvolver, e acreditar que apesar de bambu não haver, raízes há. E se há raízes, bambu surgirá, ainda que por outros e não nós, ser contemplado e admirado.
Por falar em minhoca, ser que vive no escuro, nas trevas, na obscuridade, existe e sempre há de existir motivos para as desmotivações. Sempre há. Tudo tem uma gênesis, um porquê, uma causa. Só Deus não tem causa. Tudo mais tem. Como as minhocas, e se possível for, pois não somos psicólogos de direito, precisamos descobrir nas trevas da historicidade de cada um que passa por nossas vidas, a gênesis do sofrimento e da angústia, pois só assim essa angústia terá sentido, porque o sofrimento por si só, não muda ninguém e é manifestação da maldade e de falta de conexão com estruturas vitais (sono, vida, alimentação, doenças, reprodução, reação, pessoas etc.). Diante da procura ou do descortiçar na dissipação das trevas que impedem que vejamos o que realmente é, possamos senã
o curar ( acho quase impossível isso), caminhar nesse sentido, onde a estrada seja a paz e o bom relacionamento. Todo mundo sabe que muitos sentimentos nunca são, e para muitos nunca serão divididos com alguém. Talvez, na pedagogia da vivência cotidiana, sejamos ou nos tornemos esse improvável alguém. Eu já vi gente era gente mais improvável que me desse à mão em minha queda; foi gente que gente foi, ao dar-me a mão para me levantar. Você pode ser esse tipo de gente. Quem dirá não será você, mas o outro que em você, venha confiar.

Espero que não tenha até agora sido chato. Confuso eu aceito, mas chato me entristece.

Passemos agora para a questão dos objetivos solenes.
A questão familiar é muito importante. Familiar dos alunos e familiar dos professores. Todos nós trazemos para a escola a nossa historicidade, nossos medos e frustrações. Isso pode fazer com que tenhamos objetivos solenes, porém com motivações nem tanto. Vimos isso na questão de dançar por dinheiro no filme. Bandeiras queria que eles dançassem para se tornarem alunos melhores, pessoas melhores não só para os outros mas para si próprios. O prêmio era importante sim. Quem disser que dinheiro não é fundamental é um hipócrita, mas fazer dele o objetivo de uma vida ou de um imenso esforço, é reduzir essa mesma vida à simples satisfação de comprar sem nunca estar satisfeito. Deixo aqui um alerta. É preciso desenvolver a emoção chamada satisfação, pois ela pode nos livrar de grandes problemas. Voltando, não é o que fazemos que importa, é porque fazemos. Pois se soubermos porque fazemos, talvez assim possamos voltar e resolver algumas coisas que fizemos ou estamos realizando de maneira equívoca. Inclusive quanto às nossas certezas. Aliás, nossas certezas não são as certezas dos outros. Bandeiras estava aberto ao estilo musical dos alunos, foi flexível mas não foi fraco, ainda que sofrendo. Nesse momento ele foi mais professor ainda, pois se tornou aluno, aprendendo e juntando os dois estilos musicas. Juntou o clássico com o hip-hop.
Vai agora m
ais uma grande lição do filme para mim e creio para todos que se propuseram a nele caminhar.
A ligação, a afetividade acontece muito antes que o ato físico, que o toque ou a aproximação corporal e visível acontecer. Vimos isso quando o rapaz foi preso e ligou para o professor Bandeiras, afirmando que naquele momento, ele foi a única, veja bem, a única pessoa em que ele pensava. Existem pessoas que estão pensando em você neste momento, em nós, sem que a gente se dê conta disso... Por isso, por causa dessa falta de percepção, poderemos frustrar muitos e não atingirmos nenhum objetivo por nós idealizados. Há uma iminente sede de nós nos outros ...

Vou agora jogar pedra no telhado, já sabendo que o meu é de vidro e de peque
níssima espessura.

Muitas vezes as pessoas, professores e alunos (sempre vou incluir os professores, ainda que sabendo que se trata de uma questão trabalhista, de uma relação patrão-empregado que visa o pagamento por um serviço prestado, serviço esse, que tem que ter qualidade e objetivo, devendo se eximido de problemas pessoais que venham atrapalhar) precisam é de ajuda e não de suspensão ou demissão. Aqueles garotos não eram maus. Muito menos o professor de matemática que não achava as aulas de dança importante. Todos estavam muito confusos, e na confusão, precipitações são tidas como atitudes ponderadas (a sala da detenção). Não sou ingênuo.Sei que existem pessoas que são más pois o mal não existe com ente, ou seja, como ser. O que existe são atos de maldade efetuados por pessoas más. Mas será que estamos por causa do aumento da violência, estamos rotulando todos como violentos?
Penso que algumas pessoas e alguns alunos precisam realmente de um atendimento personalizado. Precisam de tempo e se não o tivermos temos que arrumar. Acho que o SOE precisa estar mais próximo não somente dos alunos, mas também de nós professores numa parceria tipo retroalimentação, cuja a sobrevivência de ambos dependa disso. Quando digo dos professores, digo para os professores que também precisam repensar sua relação com o mesmo, visto que muitos nunca se achegaram e muitos acham até desnecessário a existência dessa jurisdição. Atendimento individualizado pode prevenir atos indisciplinares em gru
po, mas pensamos muitas vezes ao contrário. Pensamos que palestras evitarão atos individuais e essa certeza muito nos trai.
Acho que cada aluno, independente se envolvido em alguma infração ou indisciplina, precisa de um tempo à sós com o SOE. Tempo que não pode ser encarado com desperdiço, mas como um investimento nele, na pessoa, como também na nossa escola, que terá um diferencial entre as demais.
Continuo.
Nesse momento, lembro da parte do filme em que as coisas mudaram. Os alunos já não são os mesmos. Mas também Bandeiras mudou. Ele já não é quem era. Já não dá aulas só para a elite e junta todos num só grupo. E também percebe que apesar de querer ensinar um estilo de dança, ele foi além, ensinou um estilo de vida baseado a valorização da estima, da valorização dos indivíduos como seres importantes que são, ainda que por muitos não encarados com tais. Percebe que novos valores foram passados e o que se é sentido é “divino”. Visto que a confidência e confiança também já não são tão incomuns e impossíveis de acontecer. É quando as pessoas mudam. Quando confianças são estabelecidas e passam a andarem juntas. Valores são construídos e não impostos. Como disse, meu telhado é de vidro e não sou ingênuo. Às vezes as coisas não dão certo. Realmente não dão certo. Mas existe uma diferença que muitas vezes nos confundimos nela. A diferença é que se as coisas deram errado, não significa que falhamos. Nós falhamos quando as coisas dão errado e nos paramos. Paramos de acreditar. Paramos de ter fé. Paramos de busca a utopia da perfeição. Alguém disse que as utopias são como o horizonte, o vemos mas nunca o alcançamos. Mas é o horizonte que nos faz caminhar. Sem ele, estamos parados.Ele é o alvo nunca atingido mas o motivo da nossa caminhada... Se derem errado, mas continuarmos crendo, não deram errado. Foi apenas uma constatação de uma caminha inapropriada para o momento ou para a situação. Cabe aqui um alerta. Pode ser que se darem certo e se sempre continuarmos acreditando, poderemos despertar ciúmes nos outros, pois representaremos uma ameaça. Vale aqui deixar bem claro que apesar de atitudes individualistas que porventura tomemos, somos um grupo e não estamos em guerra entre nós. Bem eu acho que não. Estamos? Infelizmente em se tratando de escola, quando um erra, pode acontecer de todos errarem também. Fica o alerta que devemos nos cobrir. Descer de nosso “podiozinho” de 1ª lugar e começar a ajudar quem precisa, ainda que quem precise, não grite por socorro, ou por vaidade ou por medo de ser rejeitado e censurado. Não precisamos e não devemos expor as pessoas para ajudá-las. Podemos ser subversivos no socorro ao colega. Saibam que onde quer que estejamos, pessoas inseguras ali estarão também. E na insegurança, as reações são diversas. Precisamos estar preparados para não revidarmos “as balas” e semearmos a paz, pois tenho visto que em nossas falas, sempre tem havido uma pitada de guerra. Não me eximo. Mas Jesus nos alertou que pedras podem e vão ser atiradas em nós, mas ai de nós se ele nos pegar com pedras na mão...
Encontramos no filme outra linda lição: Precisamos acima de tudo nos lembrar que na vida,
apesar dos obstáculos, nós temos escolhas. Por vezes escolhemos colocar em nossos relacionamentos, algumas linhas invisíveis mas poderosas que separam, excluem, machucam, ainda que invisíveis sendo. Acho que nem sempre isso acontece conscientemente. Penso que nosso sistema de autodefesa tem gerado em nós, preconceitos e “apartheids”, gerado na obscuridade da alma humana, onde a razão não entra e por isso não consegue justificar.
Vimos também que a fortaleza não está no ato ou atitude de violência, mas sim, na sutileza da confiança. O forte não é aquele que agride, mas aquele que decide não revidar. Fato bem claro quando o rapaz estava com a arma e podia matar aqueles que tinham levado à morte, seu único irmão. Mas decidiu não assim fazer.
Nesse ponto, entendemos que fazer as coisas pelos outros é muito bom e louvável, é um ato de amor e solidariedade, mas isso pode se perder quando nos perdemos de nós mesmos, e agimos baseados na imagem que vão ter de nós, quando deveríamos agir segundo o bem que sentimos, fazendo as coisas por nós mesmos e não pelos outros. ( Os alunos devem estudar pelo conhecimento em e pelo prazer e liberda
de que ele dá, e não pelas notas que poderão tirar). Eles no final estavam dançando por eles mesmos, já não era para se apresentarem. Foi quando ganharam a maior das vitórias que é o reconhecimento deles por eles mesmos. A satisfação de serem não somente pessoas que sabem dança, mas se tornando pessoas dançantes, excedendo o fato de dançar. Eles não fazem, eles se tornam o que fazem...
Terminando — agora é de verdade e sei que já esgotei a paciência — , quando se ganha o coração das pessoas, fica mais fácil fazerem com eles façam o que queremos e desejamos, e até mesmo em nossa ausência, elas farão. Isso não é uma regra, pode ser que algumas façam sem isso acontecer, mas das todas que nós ganharmos, 100% farão.
Bem, obrigado pela oportunidade de expor um pouco do que o filme me ensinou e atestar que o mesmo muito me ajudou...
Professor Marcelo Pinto.

quarta-feira, julho 18, 2007

Legos


Existe um desafio. Desconstruir-se. Sim, desconstruir-se é a espiritualidade verdadeira. Desmontar certezas, desfocar objetivos , alvos tortos e irrelevantes, porém dominadores. Seria como um grande castelo de “legos” que peça por peça, precisa volta à desconexão para só assim, montar-se algo novo. E nesse processo de desconexão das peças do “ brinquedo”, percebemos que algumas estão bem unidas, fortemente unidas e relutantes à desconexão. Assim são muitas vezes nossas emoções. Estão tão conectadas, tão arraigadas que por muitas vezes pensamos que fazem parte de uma peça maior; mas que na verdade se fundiram devido ao que fizeram de nós, intencionalmente ou não.Onde no calor dos fatos, das opiniões e dos imprevistos, foram criadas novas peças, novas verdades.E o pior de tudo é que queremos montar novas coisas, novos relacionamentos, novos planos, baseados nessas verdades que não são naturais, pois foram criadas por nós, unindo coisas que separadas deveriam estar, para só assim, quando juntas, formarem o que é realmente real e oportuno. Pois é, quantas estruturas persistem em existir impedindo novas montagens, novos brinquedos, novas possibilidades. Utilizar esses pré-moldados para se construir afetividade é muito perigoso, posto que muitas vezes não há e não há como haver encaixe nessas novas construções. Diante disso, as coisas não se completam, produzem arrestas, pontas, farpas que muitas vezes nos machucam e fazem machucar...
E na impossibilidade de criar novos brinquedos, novas formas, deixamos efetivamente de brincar, de viver... Fechamos nossos corações às novas possibilidades e de tanto tempo fechado,esse tornar-se também cego e por isso, insensível. Endurecemos e duros ficamos... E não brincar é tornar-se adulto prematuramente, é achar que tudo é incompatível, é fechar-se em certezas que mais separam do que ajuntam. E aí, discuti-se sem palavras, olhar-se sem enxergar e o perfume das folhes já não é sentido... Termina-se coisas por nada, simplesmente nada, muitas vezes com discursos que tem mais a ver adeus programado, retro-alimentado por um sentido de satisfação de um ego carente, translúcido, idiota na verdade. E o que fica, se fica, é um sorrisinho bobo, vazio, de quem não tem nenhuma perspectiva de reconciliação, apesar de aparentar insegurança total. Termina-se uma nova brincadeira que nem ainda existiu, mas sepultada já foi.... Cada um interprete como queira...

terça-feira, julho 10, 2007

Estranho dia em que mudei...

Outro dia o vento me contou que eu estava indo contra ele. Sem perceber, caminhava em direção oposta ao fluxo de ar que em mim, tinha anteparo e obstáculo. Nesse mesmo dia , os pássaros me contaram, não com palavras inteligíveis, mas com seus próprios cantos, que para mim é que cantavam e que muitas vezes surdo me fiz e triste ficaram. O sol caminhava para o zênite, quando as árvores, quase que desesperadas, acenavam, e para mim desfilavam com tal singeleza e maestria, que para muitos, pareciam imóveis, mas se revelavam realmente bailarinas indizíveis e não captadas pelo que chamamos de momento descritível. No zênite, o astro rei gritou, gritou um grande brado que traduzido era: Olha a chuva de sol que sobre ti escoa! E molhado fique de sol, como nunca tinha percebido... Na direção do poente, meus olhos foram abertos a uma nuvem que como arauto do sublime, ovacionava a terra que eu pisava. E essa mesma terra, com uma pedagogia sinuosa mas diretiva, me ensinou que não devia mais pisar e sim, alisar e acariciar descalço, o solo que me empurra numa subida que nunca chega ao fim. No crepúsculo surpreendente, fechei meus olhos e as estrelas apareceram e acenaram para mim. Eram tão reais quanto as que do firmamento me admiravam. Foi quando percebi que viver é assimilar e converter o que se assimilou em sentimento , ação e pensamento construtivo. E na passividade da vivência morna e ausente de percepção cautelosa, percebe-se apenas problemas, obstáculos, doenças, dívidas, rancores, mágoas, contentamento débil, indiferença relacional e ego ferido, dentre outras coisas que não deveriam se tornar a bissetriz de nossa geometria. Foi quando cheirei o aroma da luz, peguei nos braços do ar e comecei a caminhar sobre as águas, nadando no solo que faz brotar alimento, rosa, e sombra para os dias difíceis de calor escaldante das nossas situações” calafriantes e inesperadas”!!! Eu mudei naquele dia...

sábado, junho 30, 2007

Nenhum homem pode assumir completamente sua modernidade se primeiro não conhece e incorpora a tradição de seu passado e a força de suas raízes...


No movimento e no fluxo das coisas, encontramos construções e projeções do que fomos e sentimos. Construções muitas vezes que simplesmente aconteceram, pois foram incorporadas a quem somos. Nesse contexto, saber quem somos é fundamental para que entendamos no que nos tornamos. Os costumes que muitas vezes pensamos que ficaram no passado se tornam presentes pela tradição que nos acompanhou. Por isso são presentes e modernos, ainda que tradições. A modernidade não é um ato instantâneo, plastificado num movimento que se tornou estático só porque demarcamos no momento. Somos frutos de uma construção contínua e inacabada e, entender de que somos feitos, é de fundamental importância para não tornarmos aquilo que ainda moderno, não queremos ser.

terça-feira, junho 12, 2007

Meu Amor!


Deus eu te amo.És razão de eu estar aqui, escrevendo. Fora de Ti nada tem sentido. Nada dá razão. Nada acolhe. Nada abriga. Nada perfuma. Meus sonhos são contigo. Tenho saudade donde vi. Tenho saudade de Ti. Meu universo interior não é meu. É Teu. Sou teu. Vivo por Ti. Sou sustentado por seu fôlego. Não tem ar. Tem teu ar. Minha vida. Minha existência. Meu amor. Meu bem maior. Meu coração. Meu chão. Meu céu. Minha paz. Minha alegria. Meu caminho. Meu piso. Minha correção. Minha disciplina. Meu choro. Minhas lágrimas. Meu fôlego.Meu sorriso. Meu toque. Minha visão. Meu cheiro. Meu calor. Meu esconderijo. Meu arco. Minha fecha. Meu alvo.Sombra minha! Meu tempo. Meu passado. Meu agora;. Meu porvir. De Ti sai. Estou retornando. Quero correr! Vejo Teus braços abertos! Vejo os furos. Quão grandes furos!Desculpe os furos. Quero mais. Tenho tudo. Tenho essência. Que vida! Que aventura. Quantos tombos. Quantos carinhos. Quanto cuidado. O Senhor me constrange. Minha vida. Linda Vida. Inundação de Amor. Luz excelsa! Teu sangue. Minha paz. Deus, eu não sou nada sem Ti. Tudo vem de Ti. Tudo volta para Ti.Te seguirei. Nada me impedirá de Te seguir! Doce presença em meu interior! Quero me afogar em Ti. Cura minha! Meu Amor! Meu Deus!

quinta-feira, junho 07, 2007

Ilusão!

Poderiámos ter vivido uma vida diferente da que vivemos? Será que diante de tantas escolhas, escolhemos erradamente e não nos tornamos o que deveríamos ser? Há concerto para as decisões que achamos erradas e algo benéfico nas certas? Ainda há tempo? Ou o tempo nos é dado a medida que queremos mudar? Há relação entre oportunidade e ocasião? Será que a ausência de sofrimento é o veradeiro sentido da existência humana? Seria isso o nosso maior tesouro a ser descoberto, nosso "Graal" perdido? Ou é uma utopia a existência de tal coisa? Pergunto se erramos mais quando sofremos ou sofremos mais quando erramos? E na ausência do sofrimento há certeza de acerto ou erramos mais quando sofremos menos? Que paradoxo!!! Sofro para acertar e e erro para não sofrer. Parece confuso mas confusão não há e sim, despertamento de alma adormecida e letárgica pela cultura edonista que infesta e infecta nossos corações. O que te fizeram ser o que você é? Seus erros ou seus acertos? Onde você sofreu mais? Será que sofreu ou viveu? Acertou mesmo ou mentiu para todos, mesmo para si ? Onde suas sábias escolhas te levaram? Pode o homem escolher bons caminhos e caminhos saudáveis para ele e para os demais que fazem parte de seu universo? Viva o calor escaldante! Viva o frio paralizante! Viva a intensidade das lágrimas! Viva os atos impactantes! Mas morte há na vida que se pensou viver sem as pedagógicas dores reflexivas e corretivas, que nos fizeram encontrar o verdadeiro Caminho, antes as muitas trilhas que pensávamos ser rua de ouro!

domingo, junho 03, 2007

Pés...

Outro dia pensei em entrevistar um pé. Não era nem grande, nem pequeno, mas que trazia em si, umas marcas que lembravam velhice e tormento. Fique pensando como começar a entrevista e qual seria a melhor pergunta para tal. Por onde ele teria andando? Quais seriam os resíduos que ele trazia? Qual seu tempo de existência, e qual seria o de caminhada? Quando começou andar? Quais seriam seus ferimentos? E quantas topadas ele teria dado? Quantas perguntas a serem feitas...
Foi quando olhei para um , um que era o meu próprio pé. Um que de repente me assustou. Não conheci meu próprio pé, pois já não lembrava mais por onde ele tinha caminhado. Fiquei a me perguntar se eu é que tinha levando o meu pé até os lugares que percorri, ou de maneira autônoma, como se de vida própria, ele é que me puxou. Não sei bem... Tenho que admitir que fui a lugares que não quis. Falei com pessoas que não me interessavam. Provei, sentir e apreciei o que nunca me tinha passado pela cabeça. Que vida doida. Que doida vida na ótica de um pé, que na verdade mais viveu como cabeça. Percebi resíduos de terras que hoje me parecem muito distantes, mas que ainda nele, estão presentes. Também como uma face, apresenta rugas e ressaltos epidérmicos. Curioso que muitas vezes minha mente esteve na lama, enquanto meus pés, em pastos verdej
antes. Outras, eles estavam enlameados até o “pescoço”, enquanto eu estava bem com minha mente. Sei também que meu pé em muitas ocasiões pisou de maneira vacilante, tropeçou e me derrubou. Mas há nele uma forte tendência de percorre o Caminho. Eu é que confundi o Caminho com uma estrada qualquer e por isso perdido fiquei. Pisei também passos fortes que contradisseram a fraqueza espiritual que me encontrei, num paradoxo explicado somente por força que vem de fora, ainda que passando por dentro de cada um de nós. Tudo isso é uma loucura que leva-nos a pensar de como são os pés daqueles que vivem a vida de maneira verdadeira e conseguem caminhar por onde muitos se esqueceram onde ficam tais lugares que somente a alma pode discernir. Felizes são os que têm tais pés.

terça-feira, maio 15, 2007

Saber como não dominar é mais importante do que saber liderar.

Saber como não dominar é mais importante do que saber liderar.

Dominar significa ter autoridade ou poder sobre. Exercer autoridade e domínio. Subjugar.Vencer. Preponderar; prevalecer. Creio que o sentido da frase acima é no sentido de subjugar, prevalecer e vencer.
Temos a tendência, como seres humanos que somos de dominar os outros, subjugando-os às nossas certezas e desejos. Isso se torna mais evidenciado quando estamos liderando um grupo ou uma situação. Sem perceber ou não, estufamos o peito nas nossas falas em detrimento às das outras, que sempre ficarão em segundo plano, pois escutamos, mas não ouvimos realmente o que nos é dito. Já estamos convencidos que temos todas as soluções e certezas, visto que não há problemas dos outros, que não sabemos apontar possíveis soluções. Temos a palavra final, que deve prevalecer e dominamos mais ainda, quando nossa liderança é questionada e reagimos até mesmo agressivamente. Sendo assim, nossa liderança deixa de liderar, passando a competir. E nessa competição, anulamos o que deveríamos estimular, ou seja, a iniciativa que se desenvolve em outra possível liderança.
Cometemos erro capital à medida que não percebemos que nossa liderança terá sucesso, quando de nós já não necessitarem mais. Assim cumprimos nosso papel. Esquecemos que devemos administrar as vaidades de nossos liderados e não eliminá-las. Nossa liderança fica mais leve, quando percebemos que o fato de estarmos liderando, não significa que temos que ter todas as respostas ou enxergamos todos os fatos. É melhor e mais promissor, fazer dos liderados, nossos olhos e porque não, nossas mentes, donde surgem as idéias novas que nos fazem crescer como equipe e individualmente. É simplesmente, somar esforços, dividindo responsabilidades. Verdadeiramente, liderar é servir mais a todos da equipe, amenizando danos, desenvolvendo e descobrindo potencialidades, registrando progressos e reorientando rumos em casos de possíveis desvios. É cuidar mais de nossos irmãos e amigos, evidenciando o amor de Deus para com eles.
Penso que a diferença entre se dominamos ou lideramos de verdade, é quando deixamos de oficialmente sermos líderes, mas que apesar disso, ainda somos seguidos, em nossos passos, em nossas idéias e comportamentos.O que conseguimos com liderança, permanece mais tempo do que com a dominação. O tempo passa, mas a autoridade e influencia não. É isso aí.
Marcelo Pinto

terça-feira, abril 24, 2007

Quando um professor morre


A televisão tem noticiado quase que ininterruptamente a violência urbana, marcada muitas vezes por balas perdidas, espancamentos, acidentes automobilísticos, dentre outras tais notícias de mesmo cunho.
Muitas são as formas de violências e muitas são as formas de violentar, mas quando essas culminam na morte, há uma comoção maior, sim, uma atmosfera de frustração, impotência, de indignação. Porém existe um fim muito mais trágico, muito mais desumano (se há alguma forma de humanidade na morte) e cruel; é quando se morre sem haver falência múltipla dos órgãos, sem sangue, sem vermelhidão e, sem grito de dor...
Nos filmes antigos, podemos ver profissões que hoje nos soam até engraçadas, como aqueles que acendiam as luminárias públicas, que, ao invés de serem à eletricidade, eram a querosene ou óleo. Ou, os maquinistas e cobradores dos bondes, hoje vistos somente circulando nos Arcos da Lapa, os Bondinhos de Santa Teresa. Os garçons também estão desaparecendo e os sapateiros idem.
Todavia maior tristeza é quando uma profissão existe, mas o seu exercício não, ou seja, ela é apenas nominativa, nunca ativa e muito menos reconhecida. A profissão morre quando ela se torna desnecessária, quando não há mais utilidade ou interesse por ela, visto que na dinâmica dos tempos, na corrente das certezas que surgem, não há espaço para o anacrônico segundo o julgamento de não se sabe quem. Se de fato a profissão morreu, antes disso, morre alguém, morre o profissional. Não de infarto, pois muitos escolhem tais profissões, não por “aperto cardíaco” ou por “atravancamento sanguíneo” mas sim por terem exatamente um coração espaçoso e desimpedido. São esses que morrem não em vida, mas sim morrem na morte de insistir ter relevância onde o desrespeito e a indiferença são as normas de conduta.
E no grito silencioso de socorro, de luta pela auto-existência e preservação, pelo direito de viver e coexistir, surge o golpe de misericórdia, aquele que deixa as emoções tetraplégicas, pois não permite movimentos, apenas os dos olhos para contemplar a miserabilidade, surge o ato de piedade. Piedade no lugar de respeito não traz conexão e sim, apêndice, anexo, nunca pertencimento, é aceitação, mas pondo de lado. Isso é que acaba sendo pior que a morte física, porque é uma eutanásia que não mata, mas sim desperta para a situação, sendo que trás consigo um nó na garganta, que não desce e nem pode subir, matando os sonhos por asfixia e essa sim, no próprio corpo físico.
Pois bem, é assim que um professor morre, morre de paixão, sim de paixão pois ama só, e sozinho alguém já disso, que não se pode fazer nada.
Morre de desespero de ver humanos desviarem-se da vocação de humanos serem, tornando-se o que vem antes de todas as violências vistas na televisão ou não, tornando-se os violentos de cada dia. Ele não morre porque não consegue fazer, morre porque não querem que ele faça e, minando suas forças, impedem que exerça sua profissão. Seria melhor dizer direto que não há mais utilidade nele , seria mais honesto, seria mais humano com a atividade e com o fazedor.Mas é difícil essa consciência, visto que dele não necessitam mais, por isso não a terem. Continua-se por fora e pára-se por dentro. E a labuta continua, os dias passam, a violência é aceita, é acomodada, e por fim, a vida real vira uma grande novela de muitos capítulos, mas os atores não passam de canastrões de sorrisos amarelados que escolheram atuar para fugirem da real situação de suas almas...

Pois é..... quando um professor morre.

Marcelo Pinto.

segunda-feira, abril 23, 2007

Ausência


Por muito tempo achei que a ausência é falta.

E lastimava, ignorante, a falta.

Hoje não a lastimo.

Não há falta na ausência.

A ausência é um estar em mim.

E sinto-a, branca, tão pegada, aconchegada nos meus braços,

que rio e danço e invento exclamações alegres,

porque a ausência assimilada, ninguém a rouba mais de mim.

Carlos Drummond de Andrade

segunda-feira, abril 09, 2007

Silêncio bom silêncio ruim...

Tem silêncio que é introspecção, é reflexão, é análise interior. Mas há outros que são gritos de vergonha e desespero sem força, de vida mortificada mas que não é renascer, é sim, apenas depressão e medo... Houve um profundo silêncio, o maior de todos, ouvidos por todas as criaturas criadas, um que ofuscou a adoração do quatros querubins e seus compatriotas, silêncio em resposta a uma simples e profunda pergunta: Onde tu estás? É incrível, mas até hoje, nós descendentes daquele que silenciou, assim como ele, estamos estupefados, perplexos diante da mesma pergunta e como nosso pai, não temos uma resposta exata. A falta de exatidão ou melhor, falta de resposta veio a produzir o mundo em que vivemos. Mundo triste, triste mundo, com muitos contentamentos mas sem efetiva alegria.Entre a pergunta e a resposta, evidenciamos guerras, mortes, angustias sem fim, pesares e tragédias que a cada dia se fazem mais evidentes...Parece que vivemos um tempo que não deveria existir, sendo assim, vivemos um lapso de tempo no tempo que existe, mas não vemos... Onde tu estás? Onde você está? Aonde você vai? Você pode responder? Please!

segunda-feira, abril 02, 2007

Não espere para começar a se movimentar na direção certa.







Nós temos a tendência de perder inúmeras oportunidades de pensar sobre coisas, de fazer mudanças, de melhorar. Com freqüência, continuamos seguindo o mesmo caminho, ainda que não estejamos felizes nele. É como se a nossa vida não passasse de uma seqüência de dias de aula, um após o outro, nos quais obedecemos ordens e fazemos o que imaginamos que esperam de nós. sabemos que chegará o momento da formatura, quando imaginamos que faremos algo diferente, mas, até lá, seguimos em frente sem questionar. Não espere que um acontecimento excepcional venha arrancar você da rotina para, então, examinar suas atitudes. trabalhe para tornar a sua vida pessoal tão satisfatória quanto possível. ( extraído do livro 100 segredos dos bons relacionamentos.)

segunda-feira, março 19, 2007

A família morreu... precisamos velar logo esse corpo... senão o fantasma toma vida.

Tenho notado que a estrutura familiar tem se resumido realmente somente a pais e filhos.Explico (ou confundo mais ainda.RSRSRS).
Quando digo pais e filhos, estou circunscrevendo o pai com filho, a mãe com o filho, o pai com a filha, a mãe com a filha, o filho com o pai, a filha com o pai, a filha com a mãe, o filho sem o pai, o filho com os pais, mas sem o pai (tá mais não tá, entende?)a filha com os pais , mas sem o pai, o filho com os pais, mas sem a mãe, a filha com os pais , mas sem a mãe. Tem mais; a mãe com pai, mas sem o filho, o pai com a filha, mas sem a mãe, o filho com o pai, mas sem a mãe, a mãe com a filha, mas sem o marido, o pai sem mulher,mas com esposa, a esposa, com homem, mas sem marido, o marido sem esposa, mas com filho da esposa... Loucura!!!
Onde quero chegar? Não há mais papai e mamãe mais o filho e a filha. Esquartejamos a estrutura. O organismo não é mais o conjunto de sistemas, mais uma “liquidação” de órgãos comprometidos com algumas patologias!
Quero dizer que a estrutura de família como eu aprendi não existe mais. Não estou dizendo que a qual fui inculcado, seria a ideal, mas por falta da ideal, deveríamos deixar esmiuçar-se a tão fragilizada “incompetente” micro-sociedade? Pois bem, restam-se cacos...
Bom, os cacos que digo, são as pessoas que não menciono. Pessoas que estão presas ao fantasma de uma coisa que se ainda existe, não existe como tal existia, pois ainda que continuemos a gerar filhos, não fazemos mais família.
Estou escrevendo tudo isso, pois as mentes tão ovacionadas pelas perspicácias das projeções futurísticas, não perceberam que quando culpamos a família por algo de errado , muito vezes, a nível comportamental, culpamos o ser que não existe mais, e se não existe mais, somos néscios em baseamos todo o nosso discurso nisso. É um absurdo, mas ainda vendemos para a “família”, ainda pregamos para a” família”, na escola, culpamos a” família”, socialmente, perguntamos “de que família? “ E o fantasma de nós, ri.
Precisamos planejar e considerar, os “sem família”, os “sem maridos”, os “sem
esposas”, os “sem pais”, os “sem mães”, os “sem filhos”, os “sem filhas”, os quem tem como família, somente, talvez, um filho para criar, uma mãe abandonada, para se preocupar, um pai que “ama” garrafa, pois sabe que de amor ninguém vive e sem viver, só resta morrer, ainda que de maneira lenta e não relembrável, pois abandonado foi, e resumida-se, a família ficou.Tanto pela que ficou, mas espancada foi também. Falamos muito nas crianças, mas gente grande também sofre, principalmente, gente grande sozinha... Estamos cercados e estamos solitários. Não, não vejo mais família. Vejo um discurso retrogrado, que renega a marginalidade; pessoas solteiras, divorciadas, separadas, que muitas vezes sofrem sozinhas por não terem um ombros a acalentar. Triste nossas propagandas. Todos são felizes, como a felicidade pudesse ser comprada. Mas ela somente pode ser “relacionável” nunca, comprável, pois se assim for, só os ricos a terão! E até eles_ não quero ser obvio_ a sepultura descem.
É isso aí. Repenso , nesse momento, todos os meus discursos, pois neles, a palavra família, será trocada por “pessoas” e são essas, individualmente, é que são importantes, e quem sabe, a família pinta na área novamente...

quinta-feira, março 08, 2007

Hoje é o Dia Internacional das Mulheres. Quero receber flores ...

Hoje comemora-se o Dia Internacional das Mulheres, mas não vejo motivo algum para festas. Tenho, de maneira que não entendo bem, acompanhado alguns comerciais de cerveja na televisão, além de outros que têm ao meu ver, depreciado a imagem feminina, levando-a ao nível de objeto bebível ou ser de capacidade intelectual duvidosa ou inferior. A mulher tem sido “a boa”, “a gostosa”, objeto de desejo, sem considerações além do corpo.Pior que ser somente corpo, é torna-se “garrafa” e muitas vezes, “latinha”. Nossa sociedade tem “bebido mulher”, e esta, se está sem “gás” ou “quente”, “quente não é mais, pois fria se é considerada, visto por isso, descartada se faz ou fazem-se dela. Muito triste criar nosso filhos num sistema em que eu decido quem eu vou “beber”, sem considerar que existe pessoas por trás da “garrafa”, ou seja, por trás do corpo, e esse não retrata a maioria, visto que é um valor burocrático, ou seja, poucos possuem o que nós é vendido do como o (corpo) ideal, sendo que, bom seria que valores outros pudessem ser “engarrafados” nos corpos que não são o que parecem, pois são feitos deles, outros. Outros para serem vendidos a uma população que mais precisa é de beber honestidade, beber respeito ao próximo, beber dignidade às mulheres...
Temos nos embebedado com a nossa ignorância e fraqueza em não admitir que somos violentos e algozes do sexo feminino, para não dizer, covardes com os mesmos. A imensa maioria das mulheres que sofrem algum tipo de violência, sofrem de seus parceiros. Mas o que está havendo? Será que elas não sabem escolher? Ou será que eles é que não sabem reconhecer que existe gente por trás de uma “mulher”? Quem os ensinou a serem assim? Quem? As mães? Logo elas que tanto sofreram por mulheres serem? Não sei... Quando crianças, pouca diferença há entre os sexos, então é quando a diferença se faz, é que “bebemos as mulheres”. Separamos os corpos com cores, jeit
os,mas com isso, deturpamos a alma dos mesmos...
Penso que a agressão vem do fato de querer eliminar o meu inimigo mais íntimo. Mas por que eliminar? P
orque temos medo de tornarmos o que amamos, ou seja, tornarmos mulher. Mas qual o problema de ser mulher? De receber flores? De lavar louça ou dar mamadeira ao bebê?É porque ainda que se tudo isso fizéssemos, nunca poderíamos elas nos tornar, visto que ventre não temos, e do ventre, nascemos. Talvez essa seja a gênesis desse “aparteid ginecológico” . Não ovulamos. E ovular é semear vida. É essa inveja que escolhemos como sentido do “dessentido” da vida masculina. Não dá mais para procurar um tornozelo tampado, um pescoço protegido, que nunca será “bebido” e nem “quebrado”, visto que descartável é. Eu quero ser feminino, ler carta devagar, fazer coração de vez em quando, suspirar ao se apaixonar. Preciso deixar de ser “homem” como me ensinaram, para passar a ser, forte como homem a mulher espera encontrar. Eu quero receber flores... Marcelo Pinto

quarta-feira, março 07, 2007

Saudade que me virá...




Ter saudades significa que nos demos muito bem no passado. Que escrevemos nossas existências, sabendo que fizemos o melhor possível e que não nos arrependemos do que está na “folha de papel” do caminho que percorremos... Bem, há desenhos feios e desapercebidos em nosso diário existencial. Se viver é desenhar sem um corretivo ou pagador, não dá para descartar distorções e “figuras rejeitadas ou rejeitáveis”. E ter saudades é, detalhadamente falando, é não ter nada que “apagar” da folha existencial, ou melhor, ainda que impossível seja, apagar o que já se foi, não há vontade ou desejo para isso, visto que a saudade está presente, sendo inevitavelmente aceita e corroborada. Pois saudade que é.
Depois de algum tempo sofrendo comigo mesmo, com minhas doideiras e queixas, (muitas sem sentidos e outras mais que razoáveis), percebi que as coisas aconteceram do mesmo modo que agora acontecem... Estranho... Não percebemos o agora porque neles estamos e dele ainda não nos desvencilhamos... Está acontecendo agora, nesse instante, no ato, coisas boas que sentiremos saudades. Discernimento é isso: Ter saudade do hoje, do agora, loucura, não? E muitas vezes queremos passar não a borracha, mas que vontade que dá, de pintar algumas cenas em branco e preto...Mas esbarramos no vidro que separa nosso diário, da tentativa de adulterá-lo ou ornamentá-lo. Vidro esse chamado tempo que se passou... Essa tentativa ofusca a imagem e lambuza o tempo.Tempo que já passou...