quinta-feira, novembro 15, 2007

E a ficha caiu... Me dêm uma nova prática pedagógica!

Refletindo sobre Mudanças

Toda mudança envolve perda. E geralmente perda de algo que é estimado, ainda que pernicioso ou não. Nossa existência é como uma casa cheia de quartos onde guardamos muitas coisas que em geral, pensamos ter utilidade. Só que o tempo passa, as estações mudam, o novo fica velho, e o que reluzia se torna fosco.
O ser humano tem uma forte tendência em se acostumar, a se moldar à condição inerte do momento. Todavia, quando o momento passa, nós muitas vezes ficamos na ilusão do que já passou, impedindo o que se tem porvir. Tanta gente guarda tanta coisa que não serve mais para nada. Guarda fitinha, guarda bilhete, guarda carta, guardanapo, guarda contas, guarda caderno e anotações que já estão amareladas pelo tempo, guarda pessoas que somente são abraças das na lembrança, mas não no físico, visto que já não existem mais ou distantes estão. (tem até gente que beija um, pensando no outro, mas não vem ao caso). E assim criamos rotinas as quais nos dão muita segurança no que fazemos e nos auto-treinamos em sermos essencialmente previsíveis e imutáveis. Não estou dizendo que fazer as coisas com ordem, sistematicamente e lembrar-se de pessoas não seja uma coisa boa. O que estou dizendo é que a nossa vida não pode girar em torno do que somente aconteceu, mas deve ser mesclada com uma dose de ousadia saudável e impulsionaste. È redundante dizer que o mundo mudou. Todos sabem. Mas nós continuamos os mesmos. E qual o perigo disso? Rejeição. Um dos maiores medos dos seres humanos é de serem rejeitados. Se sentirem desacoplados do ambiente em vivem. Mas deixa eu dizer um segredinho. Muitos de nós já estamos fora, excluídos, desacoplados da nova ordem mundial proporcionada pela revolução das tecnologias de informação, pela crise econômica e social e pela onda dos movimentos sociais e culturais .Tá acontecendo, mas a gente ta vendo TV e TV não vendo. Sendo bem claro para mim mesmo: nosso jeito de dar aula já era! Passou! Teve seu tempo! E a nossa crise é que não dominamos realmente as TICs, e se as usamos, usamos apenas para florear as mesmices que há muitos anos, temos perpetuado. O uso de nossos computadores, pouco efeito teve na aprendizagem dos alunos. Nem o videocassete, a TV e muito menos o DVD tem realmente tido efeito eficaz na construção de conhecimento e na aquisição de competências. Muito me dói ver como mal escrevem nossos alunos no orkut. Me dói a falta de beleza e fonética harmoniosa nos diálogos estudantis. Não adianta apelar. Pode ser até que haja casos diferentes, contudo não são regra que deveriam ser. Preocupante é, querer possibilitar aos alunos “reescreverem” suas histórias utilizando o como lente, o mundo digital, conquanto nem mesmo conseguem “escreverem” com a lente do mundo gráfico/ cartesiano. Não vou chover no molhado. E sei que sempre haverão exceções, mas podemos dar X, Y e Z conotações pedagógicas para aquele vídeo que passamos para os alunos, mas o que no fundo realmente aconteceu, foi preenchimento de tempo ao acaso, porque já estávamos esgotados de um árduo dia de trabalho e já sem voz, decidimos pelo refrigério da aula dada não por nós, mas pelo aparelho de televisão, que se ensina algo, ensina para os alunos: como estão cansados nossos professores... Diante disso tudo, para não perder o que comecei a escrever lá em cima, a gente não consegue mudar porque temos medo do que é novo, do que é desconhecido e não queremo
s deixar a situação confortante daquele caderno de aulas que muitos anos estamos utilizando. Por isso somos rejeitados e estressados ficamos. Os “caras”, os alunos chegam com “maçarico” e a gente vai de “caixa de fósforo” .Jesus disse que não se coloca vinho novo em vaso velho. Vai rachar o vaso! E nem se põe remendo novo em pano velho. Vai rasgar! E não é o que está acontecendo? Tá quebrando. Tá rasgando. Quando a gente usa as mídias, a gente usa para dar aula ao molde do quadro de giz. Como lemos: Estamos fazendo as mesmas coisas, cometendo os mesmos erros, mas agora, de maneira diferente. Moderninho mas insípido. Gente, estou falando de mim em primeiro lugar e respeito quem pensa diferente, mas assim o penso. Muitos dos professores estão tentando algo fazer. Só que ta muito difícil competir com os caras que inventam esses apetrechos tecnológicos. Eles são muito rápidos. Esses tecnocratas e engenheiros andam muito mais rápidos do que nós. Quem deu aulas para esses caras??? Precisamos respeitar nossas limitações e nossas historicidades, mas precisamos acelerar. Ta tudo acontecendo rápido demais. Penso que muitas vezes o comportamento extremamente estranho de nossos jovens é devido ao fato de consumirem muito som, muita imagem, muita frase sem sentido, enfim, muita propaganda mesmo. Gente, a coisa ta feia. É muita gente desempregada, sem formação profissional adequada para pelo menos competir. Não posso aceitar a aplicabilidade dos conceitos darwinianos às ciências sociais. Isso é exclusão explicita! Contudo o mercado, deus desse século, é voraz e precisa de instrumentos de culto e sacerdotes e súditos, ainda que com suas castas. A gente precisa muito deixar aquele caderninho de anotações, aquelas provas que a anos estamos repetindo e cair dentro do computador. Destruí muitos brinquedos quando criança. Não pelo simples fato de expressar um instinto destruidor, mas para ver como eram feitos. Ta na hora de “desmontar o computador”. Ficar mais a sós com “ele” e desenvolver um vinculo mais estreito. Creio que nossos alunos nos imitarão. Não sei se teremos dinheiro suficiente para implementarmos nossas particulares e intrínsecas mudanças, mas tentaremos.
Dalai Lama respondeu uma vez, ao ser questionado sobre o que era espiritualidade:” Espiritualidade é aquilo que causa uma mudança em nosso interior.” Acho propício para por aqui. Um abraço a todos e a todas.

segunda-feira, novembro 12, 2007

Assassino da paciência.


Assassino da paciência!
Outro dia estava no Detran, fazendo vistoria da moto, quando por não sei porque cargas d’ água, me vi conversando com outro sofredor, refém da letargia e morbidez burocrático do Estado, onde reclamávamos e nos identificávamos em nossas lamentações. Foi quando surgiu aquele papo de que moto é perigoso, e que todo mundo já conheceu alguém que já morreu em acidente de moto, ou conhece alguém que conheceu alguém que morreu devido ao veículo citado. Nessas vias de estórias ou histórias que mais servem para apressar o ponteiro do relógio, ele me contou que teve um amigo que estava com ele na praia, num domingo ensolarado de verão, onde brincaram e se divertiram muito. Amigo esse, que ao voltar para casa, em casa não chegou, visto que depois de um acidente de moto, veio a falecer no mesmo local do acontecido. Quando ele chegou em casa, já bem mais tarde, à noite, sua mãe disse que tal amigo havia morrido já a algumas horas. Retrucando ele com sua mãe, atordoado exclamava que não era possível, posto que a imagem que ficara, era da despedida na praia e impossível acreditar na notícia. Onde quero chegar com esse relato? Já explico. O rapaz tinha morrido à tarde e ele só ficara sabendo à noite, quando chegou em casa, pois a mãe foi avisada por uma vizinha que tinha telefone convencional, visto que era luxo possuir um, e que tal era agraciado, geralmente se tornava a central de recados da rua, talvez até do quarteirão inteiro. Fiquei então pensando nas coisas que “meu companheiro de suplício’ estivera fazendo nesse ínterim, entre a morte e a notícia da morte do colega. Creio que muitas coisas... Com todo respeito à dor dos familiares do rapaz falecido, mas creio que a vida do colega vivo continuava normalmente, independente do fato de morto estar, seu amigo que na praia, se despedira. Talvez ele tenha, comido, gargalhado, refletido, nadado, dirigido, paquerado, feito compras, planejado muitas coisas e feito muitas coisas, apesar de morto estar seu amigo. Hoje, não somente o telefone convencional foi popularizado, assim como os aparelhos de telefonia móvel, os celulares. Quase todo mundo tem. Pode não ter livros, geladeira, computador, internet, mas TV e celulares, creio que têm, ainda que muito faltando. Se hoje acontecesse o fatídico fato relatado, o celular adiantaria a notícia. Ele teria sabido muito mais rápido, da morte do amigo. E muito mais rápido, teria entristecido, talvez se culpado, não teria feito muita coisa que fez, posto que o celular a paz lhe roubara.Mesmo se morte não houvesse acontecido, tensão surgiria da notícia que a nós, afligiria. Não sou insensível e respeito o luto das pessoas, mas o que quero dizer é que o enterro não foi antecipado porque a notícia assim o foi. O luto dos parentes não foi amenizado porque a notícia da morte logo se estendeu. As lágrimas não foram reduzidas porque o tempo assim o foi. O rapaz não ressuscitara porque o celular assim tocara. O que quero dizer e onde quero chegar; é que não sei o que tanto as pessoas têm a dizer uma as outras, que não possa esperar o encontro face a face. O que é tão urgente que separa gente e a gente fica sem gente ver, posto que apenas as ouvimos através de ondas magnéticas? Quantas tensões são geradas pelas expectativas de tragédias que são adiantadas pelo simples fato da falta de paciência das pessoas se encontrarem? Quantas vezes ouço: “Por via das dúvidas, vou ligar para fulano...” Ora, não é por via das dúvidas que se é possível viver, mas por via das certezas ainda que cambaleantes, e essas, precisam de tempo para assim tornarem verdades e não podem prematuramente, nascerem! Certezas precisam de tempo, mas as dúvidas podem e geralmente são de “ sete meses”. Penso que os celulares têm roubado nossa paz. Nossa paz no restaurante, nossa paz na escola, nossa paz no trabalho, nossa paz no orçamento, nossa paz na conversas entre amigos. Não vi o mundo melhorar com o advento do celular. Sei que estou trazendo polêmica, mas polêmico não sou. Apenas relato o que penso, sempre respeitando o que não penso, mas é pensado por meu próximo. Outro dia até vi na TV, extorsão via celular. Sei que em alguns casos, foi por ele que se chegou ao refém, mas mais estragos fez, do que emancipou. Quantos assaltos, quantos mortes por causa dos celulares. E a moda dita a moda. Agora se troca de aparelho, como se troca de roupa, já não é ferramenta tecnológica, mas sim, ornamento vestuário e instrumento de competição vaidosa. Chique é não ter e se assim impossível for, bárbaro é evitá-lo.

sexta-feira, novembro 02, 2007

Compaixão!


Tenho ouvido muita gente falar em compaixão nesses últimos tempos. Mas vendo esse vídeo, passei a entender um pouco mais sobre o assunto, ainda que muito longe de realmente internalizá-lo, com a protagonista o fez. Aprendi que compaixão é ação, saudade, expectativa, perda, disfuguração da auto imagem, doação e exposição. Bom, não quero estragar o que as imagens podem por si só, dizerem muito mais do que muitas limitadas palavras.

Quem tem olhos, que vejam, que até os cegos enxergam!