segunda-feira, janeiro 29, 2007

Mensagem a uma amiga...





Só o Infinito pode preencher o inconsolável e o Insondável saber o que se passa...Não vou te deixar em paz pois quero ver a PAZ em você...Porque Ele vive há possibilidade para as impossibilidades... Não há o que dizer diante de uma grande perda. Beijos e há espaço em meu coração que te pertence, Marcelo.

Do fundo do Abismo

As pedras mais preciosas não ficam na superfície. Elas são encontradas na escuridão das trevas. Muitas no profundo do abismo. Elas, quando encontradas, muitas vezes não brilham, de tão ofuscadas e marcadas pelas impurezas e grossuras que por muito tempo, as afligiram ,do ambiente que vieram. São de início, feias e não aparentam valor algum. Somente os olhos sensíveis e prudentes, podem reconhecê-las. Não, não sou essas pedras, pois não me julgo ter algum valor maior do que aparento. Sei que o ambiente de minha alma é muito parecido com as das pedras... Mas confio Nele, que desceu em tal lugar, permaneceu por três dias, mas não lá ficou... E de lá, pelas mãos, ainda que furadas, me segurou e me puxou... E meu errou maior é olhar para baixo, para o fundo, para o Abismo, ao invés de olhar para onde estamos indo, para cima, para o alto. Me perdoe por abaixar a cabeça em direção contrária à Estrela da Manhã. Mas já virei o rosto... Estou subindo... Beijos.

sexta-feira, janeiro 19, 2007

Não, não sou você amanhã...


Não, eu não sou você amanhã

Não, não sou você amanhã,
Pois vivo e não aprendo...
Corro e não chego a lugar nenhum
Não tenho nenhum lugar para chegar
Por isso, não, não sou você
Amanhã.

Não, realmente não sou você
Pois quando penso, não penso
E sim divago, pois pensar
Envolve repensar
Mas nunca retorno aos meus erros.

Não, não sou você,
Pois vivo tranqüilamente
Os turbulentos desvarios
E desmandos que minha alma se permite
E não sinto culpa por isso.

Não, não sou você amanhã
Não me importo em me importar
Porque estou sempre a importar
Externos valores que acotovelam as
Tradições fundamentais de minha historicidade

Não, não sou, quem dera que fosse!

Pois viveria e aprenderia com a vida
A vivência que a vida nos dá.
Sentiria medos na caminhada
Mas desistiria de desistir de caminhar.

Não, não sou pois se fosse
Os cabelos desmelinizados
Contariam histórias de primaveras
Cujos frutos vemos por onde andamos.

Oxalá pudesse eu, caminhar
Ainda que devagar, passos firmes e seguros
Falar pausadamente colunas de verdades
E tocar em gestos que só querem oferecer-se.

Não, não sou você amanhã
Pois ainda que jovem
Recuso-me a envelhecer
Visto que já morri
Pois meus sonhos já estão sepultados
E eu não sei...

Quisera hoje
Contemplar respeitosamente
As rugas e os grisalhos mantos
Conferindo salvas à aqueles que
Deveriam ser tapetes de linho,
Mas por causa de nossa frigidez mórbida,
Muitas vezes se sentiram
E se sentem
Como capachos rejeitados por almas insensíveis!

É... mas a Justa justiça não é cega
Nem insensível
Ela já vos deram a dádiva de chegarem
Onde muitos nunca chegarão.
Por isso eu sei
Que em suas lágrimas, revolta não há
E sim compaixão daqueles que
Pensam ser o que nunca serão
Só porque têm o vigor da juventude.

Muitos nunca serão vocês amanhã.
Quem dera que fossem...

Marcelo.

quarta-feira, janeiro 10, 2007

Capachos



Caminhando pelo corredor do prédio, observei que não me parecia muito largo, e à medida que meus olhos projetavam-se em direção à porta que me pertencia, pude contemplar por cada uma das demais que por onde passava, que tinham uma espécie de tapete. Lembrei-me daqueles letreiros que visam informar a atividade ou produto que se é oferecido aos que daqueles se aventuram adentrar às possibilidades que com desvelo, eles antecipavam. Tal objeto, não muito freqüente em nossos dias, era agraciado por um nome incomum para mim e que soava muito estranhamente: capacho! Eles não eram muito diferentes entre si, a não ser pelos desenhos e dizeres que os compunham. Quanto ao mais, eram todos de cor escura, material resistente e retangulares. Alguns mais conservados que os outros, porém todos similares.
Intrigado, procurei divagar sobre a funcionabilidade e utilidade do tapete de porta, de nome estranho que me hipnotizou. Sua função básica era retirar a sujeira dos pés daquele que por eles passavam. Ainda que alguns traziam mensagens de boas vindas. Interessante é que, antes de se abrir as portas, eles eram acionados por aqueles que passariam do corredor para a privacidade do outro lado da porta, ou seja, do que era comum para o particular.Foi quando reportei-me aos homens e viajei por um mundo irreal...
Nessa viagem, o corredor é o mundo e os capachos são alguns homens !
Muitos deles são capachos, pois neles, são deixadas as sujeiras e imundícias que do corredor são oriundas. Não são como as placas que por cima ficam, são desprezados por debaixo ficarem! Nas pisaduras, machucados ficam e, por vezes, impregnados de dejetos, ainda refletem opacament
e um “seja bem vindo”.
Mas a verdade é que, o que seria das possibilidades pós-portas, se esses não existissem? São neles e por eles que muitos homens conseguem se limpar e adentrar para as opulentas possibilidades que estão do outro lado.
E assim esses são. São os pais, os professores,os amigos, os amantes que simplesmente amam pelo solitário prazer de se doar. Que se anulam para que outros não possam se anular. Muitos anonimamente “empurram” as nossas vidas, assim como aqueles integrantes de escolas de samba que empurram aqueles grandes carros alegóricos nos quais muitos nas “alturas”, vivem o êxtase do sucesso e dos holofotes . Desprezados mas essenciais. Despercebidos, mas fundamentais. São esses entes que se ofuscam para que outros brilhem. Que muitas vezes amassados e magoados para que outros gargalhem ou apenas esbocem um pequeno sorriso. É gente que ainda aparecendo capachos, são mais valiosos que tapete persa!