sexta-feira, janeiro 19, 2007

Não, não sou você amanhã...


Não, eu não sou você amanhã

Não, não sou você amanhã,
Pois vivo e não aprendo...
Corro e não chego a lugar nenhum
Não tenho nenhum lugar para chegar
Por isso, não, não sou você
Amanhã.

Não, realmente não sou você
Pois quando penso, não penso
E sim divago, pois pensar
Envolve repensar
Mas nunca retorno aos meus erros.

Não, não sou você,
Pois vivo tranqüilamente
Os turbulentos desvarios
E desmandos que minha alma se permite
E não sinto culpa por isso.

Não, não sou você amanhã
Não me importo em me importar
Porque estou sempre a importar
Externos valores que acotovelam as
Tradições fundamentais de minha historicidade

Não, não sou, quem dera que fosse!

Pois viveria e aprenderia com a vida
A vivência que a vida nos dá.
Sentiria medos na caminhada
Mas desistiria de desistir de caminhar.

Não, não sou pois se fosse
Os cabelos desmelinizados
Contariam histórias de primaveras
Cujos frutos vemos por onde andamos.

Oxalá pudesse eu, caminhar
Ainda que devagar, passos firmes e seguros
Falar pausadamente colunas de verdades
E tocar em gestos que só querem oferecer-se.

Não, não sou você amanhã
Pois ainda que jovem
Recuso-me a envelhecer
Visto que já morri
Pois meus sonhos já estão sepultados
E eu não sei...

Quisera hoje
Contemplar respeitosamente
As rugas e os grisalhos mantos
Conferindo salvas à aqueles que
Deveriam ser tapetes de linho,
Mas por causa de nossa frigidez mórbida,
Muitas vezes se sentiram
E se sentem
Como capachos rejeitados por almas insensíveis!

É... mas a Justa justiça não é cega
Nem insensível
Ela já vos deram a dádiva de chegarem
Onde muitos nunca chegarão.
Por isso eu sei
Que em suas lágrimas, revolta não há
E sim compaixão daqueles que
Pensam ser o que nunca serão
Só porque têm o vigor da juventude.

Muitos nunca serão vocês amanhã.
Quem dera que fossem...

Marcelo.

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