quarta-feira, janeiro 10, 2007

Capachos



Caminhando pelo corredor do prédio, observei que não me parecia muito largo, e à medida que meus olhos projetavam-se em direção à porta que me pertencia, pude contemplar por cada uma das demais que por onde passava, que tinham uma espécie de tapete. Lembrei-me daqueles letreiros que visam informar a atividade ou produto que se é oferecido aos que daqueles se aventuram adentrar às possibilidades que com desvelo, eles antecipavam. Tal objeto, não muito freqüente em nossos dias, era agraciado por um nome incomum para mim e que soava muito estranhamente: capacho! Eles não eram muito diferentes entre si, a não ser pelos desenhos e dizeres que os compunham. Quanto ao mais, eram todos de cor escura, material resistente e retangulares. Alguns mais conservados que os outros, porém todos similares.
Intrigado, procurei divagar sobre a funcionabilidade e utilidade do tapete de porta, de nome estranho que me hipnotizou. Sua função básica era retirar a sujeira dos pés daquele que por eles passavam. Ainda que alguns traziam mensagens de boas vindas. Interessante é que, antes de se abrir as portas, eles eram acionados por aqueles que passariam do corredor para a privacidade do outro lado da porta, ou seja, do que era comum para o particular.Foi quando reportei-me aos homens e viajei por um mundo irreal...
Nessa viagem, o corredor é o mundo e os capachos são alguns homens !
Muitos deles são capachos, pois neles, são deixadas as sujeiras e imundícias que do corredor são oriundas. Não são como as placas que por cima ficam, são desprezados por debaixo ficarem! Nas pisaduras, machucados ficam e, por vezes, impregnados de dejetos, ainda refletem opacament
e um “seja bem vindo”.
Mas a verdade é que, o que seria das possibilidades pós-portas, se esses não existissem? São neles e por eles que muitos homens conseguem se limpar e adentrar para as opulentas possibilidades que estão do outro lado.
E assim esses são. São os pais, os professores,os amigos, os amantes que simplesmente amam pelo solitário prazer de se doar. Que se anulam para que outros não possam se anular. Muitos anonimamente “empurram” as nossas vidas, assim como aqueles integrantes de escolas de samba que empurram aqueles grandes carros alegóricos nos quais muitos nas “alturas”, vivem o êxtase do sucesso e dos holofotes . Desprezados mas essenciais. Despercebidos, mas fundamentais. São esses entes que se ofuscam para que outros brilhem. Que muitas vezes amassados e magoados para que outros gargalhem ou apenas esbocem um pequeno sorriso. É gente que ainda aparecendo capachos, são mais valiosos que tapete persa!

Um comentário:

Bruna disse...

Isso é forte,nos leva a refletir bastanteas nossa atitudes ....
e vc e muito bom!!!!
Beijos =D