terça-feira, fevereiro 27, 2007

Sejam bem vindos os erros entre nós...

As coisas parecem que estão bem. Há paz. Há harmonia e o tom de voz é muito equilibrado. Mas... De repente.... Do nada.... Sem ambas as partes esperarem ...E estupefatos.... Os gritos ecoam! Mas o que houve? O que aconteceu? Por que a concórdia deu lugar a discórdia? Que troço acontece culminando em dualidade agressiva e guerrilheira?
Pensando bem, sem viver a situação, ou seja, fora dela, as pessoas se desentendem não pela vontade explicita de errarem ou porque sintam algum prazer em vivenciar o caos ou as situações de briga. Pois é. É justamente o desejo de acertar que nos faz errar. É justamente o nosso íntimo desejo de fazer as coisas certas, que se torna o combustível de errôneas defesas. Muito lógico! Pois deliberadamente, ninguém tem desejo de errar. Poucos são que conscientemente, planejam seus fracassos ou
situações em que eles mesmos venham a sofrer e fazer sofrer. Psicologicamente, nós não temos um “programa” que nos defenda de possíveis falhas de processamentos mentais. Com isso, sem saber , ou talvez sem mesmo poder saber; nós defendemos nossos pontos de vista, sem a possibilidade deles estarem errados. Eis a gênesis dos desentendimentos. Lógico. Se eu não estou errado, e algo me é incompreensível , este algo se torna inaceitável, visto que se é para mim, estranho, logo o equívoco não vem de mim, mas do meu próximo.

Então, como iniciar o movimento em direção a paz? Ou como reduzir as situações de vulnerabilidade?
Não tentar acertar, é não estar-se certo. Bem, se eu não estou certo, fica mais acessível para mim, a possibilidade do outro estar em meu lugar. Pode ser que o outro realmente não esteja sendo completamente lúcido, mas certamente o conflito, ou as munições não serão de alto efeito destrutivo. Serão “balas de borracha”. Projéteis de festim. Ao invés de palavras que mais parecem raio X, que ainda que não agredindo o corpo,penetram nosso interior e matam a alegria em nossas almas.
Pois, “quem tem culpa no cartório, não canta de galo, no tribunal”.
Assim errar, é acertar...

segunda-feira, fevereiro 12, 2007

O Outro Coração...

A luz do sol não brilha mais....
O céu está nublado. Não há mais azul. Não há mais alaranjado. Não há calor, somente umidade abafada. Como pode? Sim, vi um dia o sol. Vi o azul do céu apenas salpicado de pássaros que voavam bem alto! Eu fui um deles... Mas hoje... Estou abatido... Ferido. Caí no chão, não como uma pedra em simples queda livre, mas como se arremessada de um alto monte, por uma mão cujos os dedo eram finos e longos, ainda que com membranas entre eles! Grande impacto!Impacto profundo! Impacto na alma! Imensa destruição! Só há farelos, migalhas e pedaços irreconhecíveis de quem realmente fui, ou se fui alguma coisa realmente algum dia. Desolação. Me vejo ao longe. Me vejo ao perto... São tantos de mim mesmo, que nem me reconheço. Quem é você, pergunto eu? Não me respondo. Perdi o diálogo. Reina somente um indecoroso eco de silêncio. Não há mais alegria. O sorriso é mentira. Não há mais controle. Não vejo mais as asas. Se existem, perdi o desejo de voar novamente... Deixei de ser ave do céu, me tornei um ser rastejante. Estou longe do que um dia sonhei ser ... Procuro uma toca, um buraco sem luz. Onde minha vergonha não é exposta, onde não posso me ver. Os instintos são sinistros. Os sentidos são outros. Tudo está tão sufocado! Onde está o ar? Grito, grito, mas como nos pesadelos, se ar não há, som também não! Eis a maior das angústias: gritos sem som! Respiro meu próprio suor. Ele é amargo. Estou com sono... Quero dei
tar... Não quero caminhar... Não quero sair de casa... Me transformo, me transtorno! Há garras em minhas asas. Há presas em meus dedos! Há pensamentos impuros e hipocrisia abundante! Me escuso. Não, não são bons pensamentos! Eles são conflitantes e confusos.
Estou intoxicado pelo fel de algo que comi, mas não devia. Que me parecia bons aos olhos, mas era peçonhento às minhas entranhas! Fui enganado e me enganei. Procuro folhas para me esconder, mas encontro somente galhos secos e retorcidos amaldiçoados ao fogo. Sou assim? Me tornei? È o destino? Não sei dizer... Habito a terra do fogo. Mas de um fogo que não produz luz. É fogo que escurece, cuja as chamas não são coloridas. Nesse mundo, vejo apenas olhos “serpentianos” avermelhados em meio à escuridão. Parecem me reconhecer. Não, não são meus amigos, mas são familiares... Acho que vi um espelho. Não sei. Alimento-me de minha própria dor que não me dá vida, mas não me deixa morrer. Minha carne é dilacerada por e
spinhos de plantas que não são verdes. Eles não só me rasgam, mas também em mim ficam. Meu sangue já não é vermelho. Ele é ciano, ciano, mas não nobre, ciano de morto, e minhas veias sobressaltam os braços.
Todavia, ecoa em mim, batidas de um coração que ainda insiste ao longe, enviar-me um pouco de suprimento. Não, não é o coração que no útero se formou. É um outro. Outro que não foi gerado segundo o útero. Mas um que foi gerado fora de meu nefasto abrigo. Fora da terra desolada. Fora da umidade abafante e das nuvens pesadas sobre mim. Esse coração que ainda insiste, está em mim, de mim não vem. Não foi alimentado.Mas insistiu em viver. Foi rejeitado por mim ainda que em mim vivendo. Sangrou para que em mim pudesse bater. Teve sede. Teve medo assim como medo eu tenho. Mas não voltou atrás. Esse coração, cujas as coronárias artérias não são, e sim espinhos dolorosos, a coroar a insistência de bater em quem muitas vezes se quer abater. Esse coração é quem guia a mão que escrever contra sua triste razão e insiste em regar com seu sangue, carne,mente, e alma de quem muito se esqueceu quem era. Esse coração é Jesus.

domingo, fevereiro 04, 2007

Celulares...

Quando saiu os primeiros celulares aqui no país, foi alvoroço só. Não havia muitos modelos e os que havia , eram com certeza muito grande sem design algum. Monstruosos e pesados, mas completamente capazes de nos satisfazer e nos elevar acima dos simples mortais que não os possuíam, pois a praticidade em nossa cultura, fica atrás da incontrolável vontade de se mostrar e sobrepujar o próximo, como crianças que afrontam umas às outras:” Eu tenho você não tem...Eu tenho você não tem...”. Mas essa não é nossa questão hoje, nem objeto do artigo.
Hoje, creio que mais de uma década após o aparecimento desses aparelhos, nossa crise é maior. O tamanho diminuiu, mas muitos outros modelos sugiram e de muitas marcas, aumentando assim, as possibilidades de escolhas. Interessante é que, isso deveria ser bom, nos daria um sentimento de maior liberdade. Mas analisando friamente e saindo desse mundo , observando-o como que aqui estivéssemos chegados sem aqui nunca ter vindo, sem daqui pertencer; muitas escolhas diminuem as possibilidades de acerto e podem sinceramente, aumentar as saudades. Escolher por uma opção é necessariamente, abrir mão de outra e isso gera angústia, e assim sofremos por aquilo que a opção relegada poderia nos oferecer, pois querendo ou não, nossas escolhas têm seus custos e escolhas erradas, desperdício de tempo e ar.
Temos ainda uma grande capacidade de nos acostumarmos com a novidade, com o novo, nos adaptamos instantaneamente. Isso é terrível pois o novo fica velho muito rápido, mais em nós, em nosso interior, do que nele mesmo. “O cheiro de carro novo passa muito depressa”. A depreciação mental é muito mais veloz do que a material.Não, não é o tempo que faz com que as coisas percam seu valor, são os nossos sentimentos chamados de “novo” e de “velho”, que são sentimentos morrem mais rápido do que as árvores envelhecem.... A novidade não está em certas situações, mas nos sentimentos comparados ao “amor” e ao “ódio”. Amo o novo e odeio o velho. Entendem?
E assim vivemos, muitas vezes nos sentido arrependidos pelas possibilidades que deixamos de escolher, nos comparando com pessoas que nunca fomos e nunca seríamos, pois somos o que somos, ainda que aparentando outra coisa que não somos. E o prazer é se livrar da dor, ao invés de vivenciar o que escolhemos. Sentindo saudades daquilo que não é nosso. Como desapercebemos o nosso... Nossas tristezas, nossa história, nossos sofrimentos, nossas alegrias, nossa profissão, nossos amigos, nosso trabalho, nosso dinheiro, nossa família, nossa fé, nossos filhos. Assim achamos que o outro está sempre à nossa frente, em situação mais confortável e a inveja é nossa irmã e há sagacidade em nossos olhares. Muito triste!
Malditas versões de celulares! Malditas possibilidades supérfluas que não precisavam existir! Que sempre me deixam indeciso, com
medo do sentimento de não ter usufruído o prazer da escolha que não fiz.Assim ofuscando as que fiz.
Nós teríamos mais se tivéssemos menos, pois as muitas e múltiplas escolhas, me fazem delirar. E temos fome e sede daquilo que não é pão e nem água...
Você já escolheu um modelo? Ele tira foto? Meus pêsames... Você vai querer outro... Marcelo.

sexta-feira, fevereiro 02, 2007

Ela não avisa...


Ela não avisa. Se manda recados, dificilmente são compreendidos, pois na verdade, vivemos como se nunca fôssemos ter que estarmos frente a frente com ela. É soberana, manda mas nunca desmanda, pois uma vez proferida sua sentença, não há como deixar de acontecer seu desejo e sua satisfação.
A questão é, estamos preparados? Pensamos nisso? Ou apenas nos reportamos ao assunto quando um ente ou conhecido por ela é chamado? Que inteligência é essa, que nos faz ter sucesso em muitas áreas da vida, mas não nos prepara para atravessarmos essa ponte e seguir rumo ao desconhecido? Que loucura é essa?Que ativismo é esse, que anestesia a consciência sobre aquilo que transcende a nossa existência? Se esquecemos dela, o espelho nosso de cada dia, nos é implacável em seu papel. Se há dia, ano, hora, segundo, está guardado a sete chaves. Ninguém sabe e ninguém pode saber.
Viver a vida como se nunca fosse encontrá-la, acredito eu, é encontrá-la sem ter nunca de ter vivido. Precisamos de algumas certezas, e essas precisam passar de simples convecções ritualísticas ou processamentos mentais e se consolidarem até mesmo acima daquilo que mais nos afeta, ou seja, acima de nossas emoções, num lugar que muitos chamam de alma, ou
tros de espírito. Nesse nível, não há equações, não há expressões nem conceitos cartesianos.Sequer ,palavras. Existe somente uma certeza que muito mal resumimos na palavra fé.
A palavra RELIGIÃO deriva do termo latino "Re-Ligare", que significa "religação" com o divino. Essa definição engloba necessariamente qualquer forma de aspecto místico e religioso, abrangendo seitas, mitologias e quaisquer outras doutrinas ou formas de pensamento que tenham como característica fundamental um conteúdo Metafísico, ou seja, de além do mundo físico. O que não dá para entender é que as pessoas usam "Re-Ligare" não para ter encontro com ela, mas sim para se relacionar com o que é terreno. Loucura. Pois essa inversão faz com que nos desviemos e nos desvirtuemos do Eterno, posto que vivemos no que é passageiro, ou seja, a própria vida. E o que é para religar, não religa, pois nunca pode nem poderá ligar coisa alguma, a não ser, nossas próprias idiossincrasias e licenciosidades.
Sendo assim, o encontro é desespero, desespero, desespero, posto que pela má compreensão donde estamos saindo, cegamente partimos para onde, evidentemente , desconhecemos e tememos por falta de conhecimento, e esse, espiritual.
Poré
m, de todos que a terra tragou, Um não permaneceu, visto que da terra nunca saiu. Se algo saiu de algo, foi a terra que dele surgiu, e não ao contrário. Por isso, nela permanecer, seria anti axiomático e inconcebível. Ele não a venceu, pois com ela, nunca competiu, apenas por ela passou, para que pudéssemos também por ela também passar, ainda que com terremotos de terra, ou melhor, tremores de carne.
Ele não é religião. Ele não é culto.
Ele é a companhia em mais profunda comunhão possível, que nos faz encontrar com ela, diminuindo o medo, aumentando a paz, consolando e dando esperança aos que ficam, além ser, os braços que nos esperam, do outro lado dessa ponte chamada morte.
Ele é O Cristo Ressuscitado. Marcelo.

quinta-feira, fevereiro 01, 2007

Tesouros...

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Muitos tesouros são achados nos lugares mais improváveis. Alguns até por acidente, tornam-se conhecidos. E muitas são as formas de se valorizar o que se achou. Melhor, muitos tesouros são tesouros, porque realmente há um valor permeado no consciente coletivo, ou seja, todos reconhecem a mensuração. Mas há tesouros que são particulares. Tesouros que passam desapercebidos aos olhos daqueles pelos quais não há historicidade e intimidade nenhuma com o que é valorizado. São os chamados “tesouros pessoais”.
Esses são dignos de cofre-forte, de proteção e admiração solitária e bucólica. Deus é bom.
Bom pois revela a cada um, particularmente, qual é o seu tesouro pessoal. Muitas vezes ignorado por anos... Mas que quando achados, podem até silenciar, palavras “mau ditas” e malditas, cegar cenas agonizante e expressar palavras de amor que não foram pronunciadas...



(Música para Marcelo, por Bernardo Carlos Pinto, seu pai - in memorium - 1971)