sexta-feira, fevereiro 02, 2007

Ela não avisa...


Ela não avisa. Se manda recados, dificilmente são compreendidos, pois na verdade, vivemos como se nunca fôssemos ter que estarmos frente a frente com ela. É soberana, manda mas nunca desmanda, pois uma vez proferida sua sentença, não há como deixar de acontecer seu desejo e sua satisfação.
A questão é, estamos preparados? Pensamos nisso? Ou apenas nos reportamos ao assunto quando um ente ou conhecido por ela é chamado? Que inteligência é essa, que nos faz ter sucesso em muitas áreas da vida, mas não nos prepara para atravessarmos essa ponte e seguir rumo ao desconhecido? Que loucura é essa?Que ativismo é esse, que anestesia a consciência sobre aquilo que transcende a nossa existência? Se esquecemos dela, o espelho nosso de cada dia, nos é implacável em seu papel. Se há dia, ano, hora, segundo, está guardado a sete chaves. Ninguém sabe e ninguém pode saber.
Viver a vida como se nunca fosse encontrá-la, acredito eu, é encontrá-la sem ter nunca de ter vivido. Precisamos de algumas certezas, e essas precisam passar de simples convecções ritualísticas ou processamentos mentais e se consolidarem até mesmo acima daquilo que mais nos afeta, ou seja, acima de nossas emoções, num lugar que muitos chamam de alma, ou
tros de espírito. Nesse nível, não há equações, não há expressões nem conceitos cartesianos.Sequer ,palavras. Existe somente uma certeza que muito mal resumimos na palavra fé.
A palavra RELIGIÃO deriva do termo latino "Re-Ligare", que significa "religação" com o divino. Essa definição engloba necessariamente qualquer forma de aspecto místico e religioso, abrangendo seitas, mitologias e quaisquer outras doutrinas ou formas de pensamento que tenham como característica fundamental um conteúdo Metafísico, ou seja, de além do mundo físico. O que não dá para entender é que as pessoas usam "Re-Ligare" não para ter encontro com ela, mas sim para se relacionar com o que é terreno. Loucura. Pois essa inversão faz com que nos desviemos e nos desvirtuemos do Eterno, posto que vivemos no que é passageiro, ou seja, a própria vida. E o que é para religar, não religa, pois nunca pode nem poderá ligar coisa alguma, a não ser, nossas próprias idiossincrasias e licenciosidades.
Sendo assim, o encontro é desespero, desespero, desespero, posto que pela má compreensão donde estamos saindo, cegamente partimos para onde, evidentemente , desconhecemos e tememos por falta de conhecimento, e esse, espiritual.
Poré
m, de todos que a terra tragou, Um não permaneceu, visto que da terra nunca saiu. Se algo saiu de algo, foi a terra que dele surgiu, e não ao contrário. Por isso, nela permanecer, seria anti axiomático e inconcebível. Ele não a venceu, pois com ela, nunca competiu, apenas por ela passou, para que pudéssemos também por ela também passar, ainda que com terremotos de terra, ou melhor, tremores de carne.
Ele não é religião. Ele não é culto.
Ele é a companhia em mais profunda comunhão possível, que nos faz encontrar com ela, diminuindo o medo, aumentando a paz, consolando e dando esperança aos que ficam, além ser, os braços que nos esperam, do outro lado dessa ponte chamada morte.
Ele é O Cristo Ressuscitado. Marcelo.

Um comentário:

Aliandra disse...

Nossa!! Essa é com certeza a definição mais bela e mais triste, mais simples e mais complexa,...

Sem comentários!!

Simplesmente perfect!!