quarta-feira, outubro 29, 2008

A bebida

A bebida

Bebi por uma vida, para não beber uma vida inteira.
Bebi bebida, mas também bebi pessoas.
Bebi coisas muito mais rápido que as pessoas. Essas resistiram muito mais, contudo sucumbiram em meu intrínseco vício.
Bebi dinheiro como se água fosse. Depois, tive sede de verdade. Ressaca de bebida e sede de dinheiro, assim como de água.
Bebi amigos e estranhos. Depois de um tempo, os amigos que não beberam tiveram comigo, a ressaca que não lhes pertencia.
Bebi meu trabalho e ele ficou embriagado. Deu passos tortos, falou demais e alto, mas não disse muito; abraçou demais, consolou e ensinou de menos. Ele andou cambaleando pelos dias úteis e não úteis, felizmente não “apagou”.
Bebi tempo, tempo que é redundante dizer que não tenho mais, e cada vez mais , falta me faz mais.
Bebi minha fé e ela desidratou assim como o meu corpo e por conseguinte, minha alma. A bebida que entrou levou muito mais consigo do que ofertou. Ofertou euforia, mas levou a alegria da contemplação do divino, do que transcende a alma e a razão humana.
Bebi minhas crianças que nunca entenderam porque a paciência sumira e a grosseria crescia, pois no mundo de criança, as idiossincrasias dos adultos não têm sentido.
Bebi a mulher que me conheceu abstendo-me da bebida que bebi. Ela teve ressaca sem ter bebido a bebida que bebi. E de ressaca em ressaca, ela desistiu e parou de beber, ela deixou de me ver.
Bebi minha mãe, que nunca vai parar de me ver, mas passou a viver, como se a vida não tivesse a alegria que lhe é inerente.
E por falar em vida, eu bebi sua alegria em troca da ilusória anestesiante euforia, que se alimenta de fracas almas doentes, tornando a vida, um campo de tristeza e iminente morte.
Por isso com muita dor, mas agora com a sóbria consciência escrevo novamente:
Bebi por uma vida, para não beber uma vida inteira.
E hoje quero apenas não mais beber a vida, e sim degustá-la, na ingestão simples da água potável, que me faça enxergar sempre no foco, pisar passos firmes, e ter a destreza da percepção de “tempestades e terremotos” que com certeza, o simples fato de estarmos vivos, nos trás.

sábado, outubro 04, 2008

Imprevisibilidade certa


Imprevisibilidade certa

Sinto falta de ar... De respirar e ter alimento do céu...
Quantas saudades... quantas dúvidas...
Querer. Sempre querer, mas nem sempre ter...
Mas querer...
Loucura... Maior loucura é não saber o que se quer e por isso querer demais.
Querer de menos... não querer...
Não saber querer, não poder querer...
E, por isso tudo, querer mal.
Loucura...
Saudades... Quantas saudades...
Quanta coisa a que a mente diz sim, mas o coração diz não.
E quanta coisa a que o coração diz sim, mas a mente não...
Vida, isso é vida..
Sem previsões... Sem pesquisas...
Somente sangue, suor, tombos e lágrimas.
E muita, mas muita estupefação!
Chove em dia sem guarda chuva
E faz sol de calça jeans.
Vem a dor e, quase sem percebemos, há sorriso.
A gente diz que não, mas dizendo sim.
E diz sim só para procrastinar o não.
Deixamos ir quem amamos
E, muitas vezes, desprezamos quem nos ama de verdade.
Verdade, quem a saberá?
O que é a verdade num coração que é extremamente passional?
Amei quem decepcionei...
Decepcionei quem amei e quem me amou...
Mais uma vez....
Muitas escolhas não foram suficientemente plausíveis
Para atender a todas as demandas de minha existência.
Deixei lacunas...
Abri buracos...
Pisei em voçorocas...
Apesar de ainda não ter quebrado pernas, muito tenho rastejado...
Mas sei que o sol ainda brilha acima das nuvens que escrevo.

segunda-feira, março 31, 2008

Árvores, estranhos homens



Árvores, estranhas árvores

Outro dia estava olhando uma grande árvore.
Como era frondosa e imponente. Parecia inabalável. Sua copa era imensa e proporcionava uma grande sombra àqueles que ao seu redor ficavam. Seu tronco, robusto e soberano, demonstrava como personificação de poder, a invariabilidade e imobilidade que enfrentava todas as intempéries desta vida ─ variações climáticas e cíclicas.
Com o decorrer do tempo, sua aparência já não muda mais, pois se torna uma guardiã dos dias que se passam.
O segredo de tal majestade, verifica-se no crescimento.
Uma árvore, para ter porte de grande árvore, tem que crescer em três direções. Para baixo, para o lado e para cima. Sim, para crescer e ser forte, precisa descer, aprofundar suas raízes, sugar o solo, beber água e “comer terra”, se infiltrar na terra, desaparecer aos olhos... Precisa criar raízes que se espalhem por onde não se vê. Precisa se arraigar, se fixar contra as intempéries. Precisa ter alicerces, ainda que o terreno não seja bom, precisa superar essa deficiência, se expandindo mais ainda. Ela também precisa subir. Precisa de ar, precisa de luz, precisa de vento. De outra forma, precisa retirar aquilo que é do alto, que fica em cima. Precisa olhar para o céu. Transformar o quer é gasoso em sólido, em solidez e assim, nutrir seu próprio corpo. Mais falta ainda, crescer para o lado. Aumentar seu tronco, se fortificar visivelmente. Suberificar-se para não morrer . Ocupar espaços e se mostrar inabalável. Se expandir.
Assim também precisam ser os homens...
Precisam criar raízes, produzir alicerces. Esses não são visíveis, assim como não são, as raízes. São o que os homens trazem de sua historicidade. Sim as raízes dos homens árvores é a sua historicidade. Emoções que cresceram na escuridão das recamaras de suas almas, onde poucos têm acesso. É preciso muito cavar para perscrutá-las. E esses alicerces, para serem saudáveis, precisam de água, precisam da ÁGUA DA VIDA. E essa é que umedece, amolece, os terrenos rochosos de nossa alma.
Para se conhecer verdadeiramente a árvore, precisa-se conhecer a sua raiz.
Contudo assim também são homens. Eles crescem para cima. Crescem quando olham para o que vem do alto, para a espiritualidade que revela quem somos ou o que não queríamos ser, ainda que irremediavelmente e infelizmente sendo. A gente precisar crescer em direção a essa direção. Em direção ao alto. Ainda, precisamos também assim como as árvores, crescer para os lados e atingir quem está ao nosso lado. Como elas, precisamos gerar sombra e fresco para as pessoas que “plantadas” junto de nós estão. Elas podem ser arrancadas muito depressa e sem nosso consentimento...
Precisamos gerar também frutos e esses bons. Só assim a eternidade chega-se a nós. Através de nossos frutos que novas árvores se tornarão árvores frutíferas e delas novas também surgirão. Uma árvore sem frutos é uma árvore sem futuro. Pessoas sem frutos− penso −, nem árvores são. São matos. Capim sem valor. Todavia não há preocupação em se gerar frutos. Tá no DNA da árvore, assim como no dos homens de boa vontade. Nesse processo, o que mais se precisa é de energia. Daí a necessidade de se obter mais e mais luz , mais e mais A LUZ DO MONDO em nós, para que em nós, fruto gere. Interessante que parece que a árvore é que escolhe a luz, mas isso não é verdade. É a LUZ que nos escolhe assim como escolhe as árvores. Sem luz os homens/árvores nada podem fazer, até mesmo não podem crescer. Pois o SOL DA JUSTIÇA continua sendo sol sem as árvores, mas as árvores, árvores não serão sem o SOL.
Assim são os homens e o seu destino primordial. Árvores se tornarem... Frondosas árvores frutíferas... Um beijo, Marcelo.

segunda-feira, março 03, 2008

Tocar não é pegar...



Uma amiga minha , que dentre outras coisas, é professora de educação física me disse da extrema dificuldade das pessoas em se tocarem. Nas atividades lúdicas, as pessoas ficam extremamente constrangidas quando solicitado até mesmo uma aproximação. Posto da constância de ocorrência em suas aulas, pediu-me ela, que escrevesse um pouco sobre tal assunto. Não, não sou psicólogo nem tenho formação nenhuma acadêmica para tal assunto. Mas irei pensar e pensando vou escrevendo e escrevendo vou, quem sabe, até me tratando se houver, creio que sim, dificuldade de minha parte também quanto à questão.
Em primeiro lugar, gostaria de fazer uma diferença entre tocar e pegar. Creio que a confusão está aí. Quando pego, eu tomo, e se tomo, alguém que tinha ficou sem e mais carente ainda se torna, passando a exercer como autodefesa, um sentimento de precaução exacerbado, amplificado pelas neuroses de uma vida que é ditada na maioria dos casos, por forças externas, não muito bem entendidas por nós mesmos, e assim sendo, nos tornamos essencialmente seres arredios da aproximação. Pior que quando assim agimos, perdemos facilmente o conceito do toque, que é compartilhar. Compartilhar vida, cheiro, pulsação, alegria, esperança e num ato mais sublime consolo.
Sei que realmente tem gente que não sabe tocar, pois só quem foi tocado pode tocar e não confundi o toque com o pegar. Sofreram e sofrem das demandas emocionais dos abusos sofridos, posto que estavam abertos, no início, a serem tocados, mas por maldade doentia daqueles em que tal confiança foi deposita, ao invés de compartilharem simultaneamente da satisfação recíproca do que toca e do que é tocado, tiveram seus tesouros roubados, seus pertences e com a alma sangrando assim ficaram depois do abuso sofrido, muitos por aqueles que mais amamos, potencializando a dor e o desespero de um grito silencioso.
E aí se faz cultura. O tempo passa e os abusados crescem e geram descendentes, mas inculcam nesses, sentimentos sofridos revestidos de comportamento adequado e se assim não fora, adentra-se no que é considerado anormal e passível de preconceito e discriminação, e essa como autodefesa.
O maior órgão de nosso corpo é a pele. Nela encontramos centenas de milhares de terminações nervosas que fazem a gente sentir os mais variados ambientes, contudo, por causa do que foi dito antes, o ambiente denominado carne de outrem torna-se maldito e território proibido.
Interessante é que em muitos casos, por não querer tocar, a gente passa a querer pegar e de abusados, nos tornamos abusadores. Aí sim, a gente passa a tocar com segundas intenções, ou seja, passa a pegar literalmente as pessoas, olhando-as sempre como objeto de prazer para nós mesmos, ou seja, passamos a “coisificar” pessoas.
Sei que a cara não trás quem verdadeiramente somos, mas creio que ainda valha a pena dar as mãos, apertar abraços, alisar cabelos, secar lágrimas e dançar juntinho, mesmo correndo o risco de alguém pegar “algumas coisas” de nós, quando pensamos que simplesmente estamos sendo tocados e tocando. E se isso acontecer, vamos tocar nossas próprias mãos, na junção de suas palmas e, num ato de oração pedir: “Pai perdoa-lhes porque não sabem o que fazem.”
Marcelo Pinto.

sábado, fevereiro 09, 2008

Saudades...

Saudades...
Tenho muitas saudades...
Saudades de caminhadas com pessoas caras que não fiz.
Saudades de festas que não fui ou não tive.
De amizades que não aconteceram porque ficaram na superficialidade do coleguismo.
Das horas que perdi vendo televisão e sonhando.
Dos amigos que não pude fazer, pois não tive tempo porque muito trabalhei.
Das pessoas que deixe parti e não disse adeus.
De coisas que hoje sei que não posso mais viver, o tempo passou...
Tenho saudade de sorri, perdi muito tempo de cara fechada.
De ter podido respirar mais fundo, mas apenas ofegante caminhei.
Tenho
saudades dos amigos que deixei, visto que a distância eu meu fiz, mais do que estavam realmente.
Me fiz tão distante na mente, quando tão perto estava!
Saudades da criança que deixei de ser, porque que rápido cresci.
Do adolescente fugaz e intenso que não fui, envelheci cedo demais.
Da paz que poderia ter, se ouvisse mais o que as crianças falavam
Das viagens que não fiz porque estático ficava em meus pensamentos provincianos.
De fotografias não tiradas, porque não achava isso importante
Perdi muitos momentos...
Das palavras de amores que ficaram nas insípidas e irrelevantes boas intenções.
Quantas saudades...
Dos sonhos perdidos porque não foram alimentados.
Quantas saudades!
De jogos que não aconteceram simplesmente porque não querer ser questionado, não joguei também.
Dos banhos de chuvas que foram tão poucos...
Quantas saudades...
De silêncios que não aconteceram, porque na precipitação emocional, esbravejei.
Tenho saudades e medo de saudades vir um dia não mais ter.

segunda-feira, janeiro 28, 2008

Nascer e morrer!



Ninguém nasce bom ou ruim. Simplesmente nasce.
E após esse milagre de se surgir, começa o tempo de cresce e caminhar. E nessa caminhada para voltar ao pó da terra, a gente vai assimilando o que comemos, ouvimos, tocamos, cheiramos e vemos. Tudo isso vai nos transformando... O clima, o tempo, as pessoas,as pressões, os animais e as plantas que tocamos e que nos tocam e vemos vão nos transformando em algo muito diferente do que nascemos.Até a pele muda! A gente segue numa direção que mais parece uma reta no escuro. E caminhando a gente vai mudando. Não, realmente não dá para sermos o que fomos e dificilmente partiremos para a eternidade como estamos.Sempre algo acontece que fora está de nosso controle. Morremos diferentemente do que somos e surgirmos. Até nos nossos erros e nas tentativas de acertos, não da para voltar ao ponto de partida, pois a partida sempre será outra diferentemente daquela que desejamos, pois queremos nos consertar. A verdade é que hoje, com os acertos e os erros, somos pessoas diferentes. E isso frustra a gente e as expectativas daqueles que esperam que voltemos a ser o que não podemos mais, visto que mudamos irreversivelmente quanto ao estado anterior. Mas isso não é o fim e nem pejorativo. Podemos ser inéditos. Isso é novidade de vida. Sermos inéditos. Superarmos as expectativas ultrapassadas e utópicas do que fomos. Não dá para ser o mesmo filho, o mesmo pai, a mesma mãe, marido ou esposa. Não dá para ser o amigo que fomos, discípulo, seminarista, mestre ou pastor. Parece poético mas não é. È a realidade com suas construções e em muitas dessas, licença ou permissão para coexistir não existe, não há. Também precisamos entender que o próximo mudou. Ele não é mais aquele indivíduo que deixamos quando partimos ou quando nos isolamos ou fugimos. Doloroso e uma perda de tempo ter tal expectativa. Se tivermos tal elucidação e perspectiva, as lágrimas derramadas regam nossa existência e nossas dores sofridas adubam fertilizando o solo de nossa alma, assim crescemos rumo donde partimos, e como um milagre, dizemos adeus ao que nos cercam e nos querem bem, isso sem desespero ou mágoa não resolvida.

domingo, janeiro 27, 2008

Lembranças...


Fiz encontro de jovens quando tinha meus 17 anos... Não entendia nada de igreja, sempre foi muito sozinho dentro da mesma e nem como as coisas funcionavam. Não sabia muito bem porque estava ali. Aliás, não sei nem quem me inscreveu. Não me explicaram. O que me foi dito, entendido por mim não foi. Não me enquadrei. Por que estou escrevendo isso agora? Por causa dessa música. Eu a ouvi pela primeira vez, quando terminou o encontro e eu estava no meu fusquinha, coloquei a fita cassete que ganhei no toca-fitas de bandeja do carro, e me lembro como se fosse hoje... Eu estava na avenida Contorno, na altura da antiga fábrica de açúcar União... Já era noite...Sem luar, era inverno e chuvia. Estava sozinho, como sempre vivi... Não, eu não tinha quem estivesse me esperando ao final do encontro. Não houve beijos ou abraços... Só meus olhares para aqueles que tão calorosamente foram recepcionados...Recebiam parabéns e afagos... Parecia aniversário ou algo assim. Ganhamos uma bolsa cheia de coisas, inclusive a fita-cassete e muitos papeis. Não havia nenhuma carta de algum conhecido... As poucas que recebi, foram de pessoas as quais nunca conheci. Por isso essa música me marca tanto. Foi , sei não estou enganado, a primeira que realmente me tocou de maneira muito especial. Ouvindo-a, Deus se tornou mais perto, a dor diminuiu, senti aconchego, ainda que sozinho... El Shadai, sim Ele me tocou... Não sabia o que o nome significava, mas não precisava... O nome se revelou... O perfume tomou conta de mim, me envolveu e senti paz. Paro por aqui...
Eis o link da canção:

Férias, chuva e televisão

Estive de férias em Angra e como o tempo nesses dias estava praticamente chuvoso em todo o Brasil, apesar de férias, ficamos mais dentro de casa do que passeando. Digo isso, pois foi devido a esse fato, que assisti uma audiência pública na TV Senado sobre a questão da publicidade na TV, e essa principalmente direcionada ao público infantil. Teve gente defendendo assim como atacando a publicidade infantil. Mas o que todos concordaram é que estamos extrapolando o direito, se podemos assim dizer, de manipular pessoas e formar opiniões, ainda que sabendo, que o modelo que estamos vivendo, seja o do capitalismo, por conseguinte, o do lucro a qualquer custo. Mas o custo tem sido muito alto. A questão de orientação para a análise do que se está vendo é muito irrisória, pois só se analisa algo, quando se tem pré-conhecimento do assunto e subsídio para experimento e julgamento de valor. Nosso povo infelizmente, como nação em desenvolvimento, ainda é muito inocente e ingênuo e muito aquém quanto à questão de analisar, discutir e mensurar o que entra pela tela de televisão em seus lares. Nesse contexto, as crianças são as mais vulneráveis, visto que não há como elas distinguirem, pelo menos assim demonstram os estudos, antes dos doze anos em média, o que é a realidade e o que é fictício, tornando o lúdico, caminho para o que é patológico e desvirtuado.
Bom, quanto a minha postura, não posso e não vou mentir. Sou parte dessa nação e me orgulho de ser parte desse povo tão receptivo, mas sei que é difícil ter uma postura crítica, pois muitas vezes não temos para onde correr, não há opção, e por falta de recursos, a TV passa a ser muitas vezes, a nossa única e soberana forma de lazer e entre nada e a TV, vence os programas de qualidade e intenção duvidosas que estamos assistindo. Devido a minha profissão e depois de algumas leituras esclarecedoras, hoje já consigo enxergar o que antes não enxergava, ou seja, a intencionalidade da mensagem clara ou não que é vinculada ao programa transmitido, isso muito, evidenciado nos telejornais, que dependendo da emissora, dá ênfase ou não a um determinado assunto em detrimento a outro. Percebi também que as novelas, ainda que retratando os conflitos, valores, pecados tão comuns aos seres humanos, seja romance, dor, traição, dinheiro, inveja, morte; o fazem de maneira parcial, fazendo moda e criando comportamento, como por exemplo:” Não é brinquedo não!” , que passou a fazer parte do linguajar popular depois que veiculado a uma novela do horário nobre. Dependendo da abordagem dada, o bom pode ser não tão bom e o mal se torna bonzinho. Mas na vida real não há espaço para essas manipulações.
A emissora de TV mais antiga do mundo, a BBC de Londres (veja que as melhores produções científicas televisivas são dela), ao ser criada, especificou quando da sua concessão ,que sempre haveria em seu espaço de programação, 20% do tempo dedicado a divulgação científica, e isso no horário nobre. Mas estamos falando de uma nação em que se lê em média, 45 livros por ano e muitas vezes em nosso país, um professor, quando lê, lê somente 2.
Sei que comercialmente passar uma programação de divulgação científica no horário nobre, seria comercialmente inviável, mas isso ocorre não porque o povo não gosta de ciências, é porque ele não entende ciências, e se não entende, é porque não lhe educaram para isso, e por isso, aceita qualquer coisa, estagnando mentes, usurpando possibilidades.