domingo, junho 10, 2012

O que mais arde em nossos corações


Texto: Gênesis 22:1-18

Introdução:

O que mais arde em nosso coração é o que amamos, é o nosso ‘único filho Isaque’. È o que abaixo de Deus, ocupa o centro de nossas vidas, o que nos dá prazer, satisfação, em que gastamos nossas forças e tempo.Porém as vezes ‘Isaque’ não é belo, nem é bom, mas como ‘Isaque’, continua ocupando o centro de nossas emoções, sugando nossas forças, e minando nossas resistências. Se alimentando das labutas da vida, esse ‘Isaque’ anômalo, cresce e ofusca Deus de nossas vidas, impedindo que vejamos a Sua face e o Seu cuidado por nós. Às vezes, doentiamente, marginalizamos ‘Isaque’, lançando sobre ele, aquilo que deveríamos lança na cruz de Cristo, machucando, ferindo e magoando aqueles que amamos e nos cercam. Ora somos necessariamente “Isaques,” ora “Abraãos” nos relacionando com a vida e com o próprio Deus.
Considerações:

1ª- Na subida de Moriá, Isaque é que leva a lenha:

No processo, na caminhada, Isaque sente o peso do sacrifício de si mesmo. No caminho para a adoração, Isaque percebe que galhos, espinhos e farpas, são que alimentam o fogo do altar de sacrifício, Isaque sofre, sem saber que o próprio sacrifício, é ele mesmo.

2ª- A tentação de se deixar cair o cutelo e soprar a chama do holocausto.

Na subida de Moriá, Abraão leva o cutelo e o fogo. A obediência ao Senhor depende diretamente dos meios que temos e carregamos para obedecê-lO. Estar no caminho para a obediência, mas deixar cair o cutelo e apagar a chama, é em si mesmo, perder a condição de obedecer e adorar. É amar o mundo e as coisas que nele há.

3ª- A fé de que sempre voltaremos.

Subir ao monte com Isaque é ter a certeza de que “voltaremos para junto de vós...” . É crer não somente no que a razão nos apresenta diante das circunstâncias, mas crer nas várias possibilidades de Deus, desde da visão de anjos trazendo a mensagem do senhor, até mesmo na ressurreição de Isaque.

È crer que voltaremos do deserto, voltaremos dos momentos de sofrimento, voltaremos dos velórios, das situações de perigo e tristezas que vivemos. É crer que por momentos, nos afastamos de Deus, mas voltaremos para Ele, sempre voltaremos, haja o que houver.

4ª- A clarividência de nossa esterilidade. ( a certeza de que somos estéreis)

A obediência de Abraão está relacionada e baseada no fato da clara convicção de sua esterilidade. Isaque é fruto de milagre, por isso, pertence ao Senhor. Subir Moriá com Isaque é reconhecer que tudo o que temos e somos, vem do Senhor e que é nosso dever, devolvê-lo, ainda que já muito apegado à criança.

5ª- Sacrifícios pertinentes são oferecidos no secreto do monte.

Apesar dos servos caminharem com Isaque, ele é oferecido no secreto do monte.

Isaque é passível de admiração, pois é fruto de milagre de Deus, mas ele é devolvido ao Senhor, no secreto de nossa comunhão, no local sagrado, pois é indicado pelo próprio Deus, no gênesis de nossas emoções. Seja no pináculo do templo, ou na caverna de Adulão, nas alegrias ou nas tristezas, Deus é quem escolhe o tempo de nos fazer Seus pedidos. Precisamos estar atentos aos pedidos do Senhor.

6ª- O sacrifício de Isaque é um ato contínuo, por isso devemos receber as bênçãos do Senhor sempre com as mãos abertas.

Dialogar e discutir com Isaque na hora do sacrifício, é muito perigoso; pois podemos ser tentados, ao ouvir o som adocicado e embargado da sua voz, a seguir um outro caminho de obediência, que aos olhos humanos nos pareça muito justo e justificável. Mas a obediência não é um caminho para andar com Deus, e sim o próprio caminho, não há outro meio de mantermos nossa comunhão com Ele. Os outros caminhos parecem direitos, mas são caminhos de morte.

Conclusão:

Entender a provação de Abraão é compreender que na caminhada como Corpo e com o Corpo de Cristo, ora nós somos Abraão que responde à chamada de Deus como filho: “ Eis-me aqui meu Pai”, ora respondendo como pai:”Eis-me aqui, meu filho, não se preocupe, subiremos e desceremos Moriá. Viveremos a vida que o Senhor nos deu, pois estamos com o cutelo, com a chama e com a madeira, estamos com a cruz, ela é nossa, mas o Senhor já providenciou o Cordeiro Santo de Israel.”

quinta-feira, janeiro 19, 2012

Ele era inocente


Jesus era do ponto de vista do Sumo Sacerdote um herege e um impostor, do ponto de vista dos comerciantes um agitador e um comunista. Do ponto de vista imperialista dos romanos era um traidor, do ponto de vista do senso comum um louco perigoso. Do ponto de vista do esnobe, que exerce sempre grande influência, era um vagabundo sem um tostão.




Do ponto de vista da polícia ele era obstruidor das vias públicas, pedinte, aliado de prostitutas, apologista de pecadores e depreciador de juízes; seus companheiros eram vadios que tinham sido seduzidos de seus ofícios regulares para uma vida de vagabundagem. Do ponto de vista dos devotos Jesus era um violador do sábado, negador da eficácia da circuncisão, advogado do rito estranho do batismo, glutão e bebedor de vinho. Era odiado pela classe médica por praticar a medicina sem qualificação, curando as pessoas por curandeirismo e sem cobrar pelo tratamento.



Ele era contra os sacerdotes, contra o judiciário, contra os militares, contra a cidade (tendo declarado que era inconcebível que um rico entrasse no reino do céu), contra todos os interesses, classes, principados e potestades, convidando a todos que abandonassem essas categorias e o seguissem.



Por todos os argumentos legais, políticos, religiosos, do costume e da polidez, Jesus foi o maior inimigo da sociedade do seu tempo já colocado atrás das grades. Era culpado de cada acusação feita contra ele, e de muitas outras que não ocorreu a seus acusadores levantar. Se ele era inocente, o mundo inteiro era culpado. Inocentá-lo seria atirar pela janela a civilização e todas as suas instituições. A história confirma o litígio contra ele, pois nenhum Estado jamais constitui-se sobre os seus princípios ou tornou possível viver de acordo com os seus mandamentos; os Estados que assumiram o nome dele foi para usá-lo como credencial que os habilitasse a perseguir os seus seguidores de modo mais plausível.



Bernard Shaw, no prefácio de On the rocks (1933)