domingo, junho 03, 2007

Pés...

Outro dia pensei em entrevistar um pé. Não era nem grande, nem pequeno, mas que trazia em si, umas marcas que lembravam velhice e tormento. Fique pensando como começar a entrevista e qual seria a melhor pergunta para tal. Por onde ele teria andando? Quais seriam os resíduos que ele trazia? Qual seu tempo de existência, e qual seria o de caminhada? Quando começou andar? Quais seriam seus ferimentos? E quantas topadas ele teria dado? Quantas perguntas a serem feitas...
Foi quando olhei para um , um que era o meu próprio pé. Um que de repente me assustou. Não conheci meu próprio pé, pois já não lembrava mais por onde ele tinha caminhado. Fiquei a me perguntar se eu é que tinha levando o meu pé até os lugares que percorri, ou de maneira autônoma, como se de vida própria, ele é que me puxou. Não sei bem... Tenho que admitir que fui a lugares que não quis. Falei com pessoas que não me interessavam. Provei, sentir e apreciei o que nunca me tinha passado pela cabeça. Que vida doida. Que doida vida na ótica de um pé, que na verdade mais viveu como cabeça. Percebi resíduos de terras que hoje me parecem muito distantes, mas que ainda nele, estão presentes. Também como uma face, apresenta rugas e ressaltos epidérmicos. Curioso que muitas vezes minha mente esteve na lama, enquanto meus pés, em pastos verdej
antes. Outras, eles estavam enlameados até o “pescoço”, enquanto eu estava bem com minha mente. Sei também que meu pé em muitas ocasiões pisou de maneira vacilante, tropeçou e me derrubou. Mas há nele uma forte tendência de percorre o Caminho. Eu é que confundi o Caminho com uma estrada qualquer e por isso perdido fiquei. Pisei também passos fortes que contradisseram a fraqueza espiritual que me encontrei, num paradoxo explicado somente por força que vem de fora, ainda que passando por dentro de cada um de nós. Tudo isso é uma loucura que leva-nos a pensar de como são os pés daqueles que vivem a vida de maneira verdadeira e conseguem caminhar por onde muitos se esqueceram onde ficam tais lugares que somente a alma pode discernir. Felizes são os que têm tais pés.