domingo, agosto 12, 2007

"Vem dançar" Mesmo que não sejas professor...

Colégio Santa Terezinha

Análise do filme: “Vem dançar”Sábado, 04 de agosto de 2007 (reunião pedagógica)

Bom na verdade, continuo achando que a abertura de pernas da loira do filme nos daria subsídios para trabalhar em todas as áreas das disciplinas. Mas vamos falar sério.

Vemos no filme duas realidades. Digo duas, pois em nós sempre temos a tendência de dicotomizar as coisas. Que de fatos assim o são, mas porque assim são, não quer dizer que assim deveriam ser.Dicotomizamos praticamente tudo. Amor versus ódio, fé versus incredulidade, alunos fracos versus alunos fortes, bons professores versus maus professores, inteligentes versus nem tanto assim, Deus versus diabo e assim por diante. Dicotomizar é separar, e dilacerar, é rasgar, por rasgar, muitas se vêm à sangrar. Digo sangrar devido ao fato que se não encararmos honesta e sinceramente que não há como agir, pensar, trabalhar eximindo de nós, aquilo que em nós é mais forte, ou seja, nossas emoções. Sim são duas realidades ( as escolas dos alunos e a escola de dança), mas que em todas, as emoções estavam presentes...
Também difícil é, transcender a realidade física, o que vemos e “cheiramos” é muito forte em nós. Por isso acontece de errarmos impiedosamente nos nossos julgamentos. Sim julgamos e muito o fazemos. Podemos e temos feito isso como muita facilidade e constância, porém muito temos errado. Nossos alunos não possuem nossos valores, mas podem possuir apreço e afinidade , senão por a nossa “moral”, possuírem por nossa pessoa, nossa história, que não é a deles, por nossas alegrias e frustrações também. Quando digo com nossa “moral”, me refiro ao nosso tipo de música, nossa aptidão artística, nossos “hobies” , nossa disciplina em que nos formamos e pretendemos ensinar...Por isso, por muito ouvirmos mentiras, em algum momento condenamos a verdade que nos é d
ita. “O aluno no filme estava dizendo a verdade apesar do rótulo que possuía de baderneiro.”

Outra coisa é que todo mundo “tá” fazendo alguma coisa, ou certa ou errada, “tá” fazendo alguma coisa. Não há nem silêncio sem ato explícito ou não nesse, nem barulho sem finalidade, pode até ser expressão de socorro e grito de desespero. Mas todo mundo “tá” fazendo alguma coisa. Na sala de aula ou “tá” estudando ou “tá” fazendo outras coisas, não há isenção, há ação sempre. Mas passa-se desapercebido que temos escolhas, sempre temos escolhas. Não queremos ter essa realidade ( de que temos escolhas) porque isso não nos permite transferir responsabilidades e culpar outra pessoa. A verdade é que o aluno não aprende porque não quer e eu não ensino porque eu mesmo não assistiria às minhas aulas. Vai dizer que discorda? Olha a transferência aparecendo aí, devagarzinho, mas aparecendo...
Lá vou eu de novo!
Estamos batendo palmas ao avesso!Isso dói!!! Nossas falas são de derrotas, constatação de crises, e de crises em crises estamos vivendo. Não vejo ninguém propor soluções viáveis, isentas de auto-promoção, isentas da necessidade de aparecer e de ter a última palavra. Isso é frustração incubada!!!! Estamos sempre nos conselhos de classe reclamando, chorando pelos aluno
s que de fato nos atrapalharam,nos afrontaram, nos desarticularam, quando as vitórias não são louvadas e os sucessos são afogados.O que é bom não é visto. Perdemos o foco. Perdemos o domínio da turma e a turma perdeu-se de si mesma. De bússolas que seríamos, escravos amarrados aos remos nas recamaras do barco, nos tornamos (lembram daqueles barcos antigos???).
Perdemos as boas maneiras. Digo boas não porque são clássicas ou “elitizantes” ou dos ricos, digo que perdemos as boas maneiras, porque nos portamos de ma
neira confusa, não nos mostramos, mascaramos. Até nosso “boa dia” gera desconfiança. Sim as regras de etiqueta são importantes, mas o que vale é o “tecido da camisa” o “pano”, quem você é e não a etiqueta que possui ou pensa ter. Pois se a etiqueta é verdadeira,e de fato o é (bom dia, com licença, muito obrigado, etc.) , a camisa é “paraguaia” ( que maldição dos paraguaios!!!), é falsa, a carne não é de “1ª” e a gente tenta fazer bife, não dá certo, mastiga-se, mastiga-se mas não dá para engolir. E aí, a gente cospe para todo o lado, sujando todo mundo...

Bom tem muito mais e tenho tempo hoje. E lá vamos nós!!!!

Tente sentar na aula de outro professor e vê se consegue dar sentido em sua mente de tudo o que ele escreve ou diz? Sejamos sinceros. Muitas vezes não entendemos nada! Até parece engraçado! Não há sentido. Não na matéria,digo que não há sentido mas em nós, no aluno, nessa relação que muitas vezes começa friamente ao quadro branco, com o pilot, (Ah! Gostaria de um verde!!!É possível???), enquanto tem gente lá atrás, que um aperto de mão, um beijo, um abraço, um oi, o traria para mas perto, para frente, sentar na frente sem de lá sair... Diante disso a gente, eu, você, os meninos, as meninas, a diretora, todo mundo ri, mas ri é de nervoso, devido a situaç
ão em quem ninguém se entende apesar dos estrépitos de língua que são ouvidos. A risadinha lá trás da sala pode ser de nervoso e não de afronta. Preciso ter esse discernimento...
Como biólogo, verifico que entre nossos irmãos “discriminados”, nossos irmãos bichos, que eles levam tempo para abrir seus instintos, anulá-los, e ter confiança no bicho chamado homem. Poderia ser diferente entre nós? Confiança é algo instantâneo? Você confia em alguém que nunca viu? Eu só em Deus. E nos motoristas de ônibus (mas por causa primeiro de minha confiança em Deus !). Antonio Bandeiras não conseguiu nada no primeiro dia. Não consegui e perdeu. Perdeu a bicicleta. Perdemos muitas vezes, a fé, perdemos a direção, perdemos a esperança. Tudo isso porque esquecemos que se leva tempo para conseguir, ou melhor, para construir confiança. Atenção! Devido à expectativa de ser esperar algo e nada acontecer, nos desesperamos quando nada vem e esse nada ainda leva algo de nós....

Prossigamos professores!!!

Nem todos têm talento para a dança. Isso é uma verdade. Eu, eu não tenho talento para a dança. Sou a prova. Você tem? Sempre tive problema com essa questão: Ter que realizar sem saber e sem ter mestre. Sem a receita. Bom, olhando para o passado, pulando alguns tempos, dias, concluo que houveram mudanças, coisas foram feitas, coisas aconteceram, outras foram destruídas, mas também houve construções. Sou uma dessas. Percebemos, se sinceros formos, — prestemos atenção nessa verdade — que , muitas vezes não temos ou não tivemos talento para o queríamos, mas se realmente queríamos, como de fato aconteceu, o talento ficou em segundo lugar. Assim é a vida. Talentos em determinados momentos e situações, precisam descer de nossa escala de valores e importância, para que possamos superar as adversidades que não
nos perguntam se somos capazes ou de superá-las.Nesse momento, deixo essa reflexão:” Muitas pessoas são capazes de realizar coisas extraordinárias. Outras pessoas são capazes de suportar coisas extraordinárias. O segundo grupo são pessoas extraordinárias.” O momento não é fácil. As coisas estão difíceis. A “caçada às bruxas”, se não começou, vai começar! É quando vou para mais um ponto, se ainda estivermos interessados. Eu sempre me incluo em minhas conversas com todos e comigo mesmo.
O professor precisa pensar. Lembram do filme? A “sacada” de Bandeiras levar aquela inspiração, levar a loira que conseguiu acabar com meu estado de pureza espiritual atingido com esmero naquele sábado (ás 6 horas da manhã, estava orando). Com isso ele conseguiu chamar a turma para perto e vamos ser sinceros, deixou de parecer um idiota para o grupo.Quando digo que o professor precisa pensar, chamo isso de “nó técnico” no time adversário. O time vai mal. As coisas estão ficando fora do controle. “Tá” na hora de mexer! Cada um é técnico de sua disciplina, sua mat
éria e como técnico, tem que fazer algum a coisa. Com livro, sem livro, ao quadro ou não, sentado ou em pé, retro ou não. Não somente os físicos me entendam, mas no magistério, — O MINISTÉRIO DA VIDA VIVIDA EM SALA DE AULA NOS ADVERTE — INERCIA, pode causar mal à saúde, à alma e ao bolso, não necessariamente nessa mesma ordem.
O amor é Universal.
Não, não somos, iguais. Temos gostos diferentes, paixões diferentes, gostos diferentes. Músicas, textos, temas, lugares, cores, paladares podem coincidirem ou não. Mas uma coisa é universal, o amor. As pessoas amam. Amam filhos, amam pais, amam netos, amam amigos, amam esposas, amam namorados .Amam até a si mesmas, que ao meu ver, é um amor patológico. Isso precisa ficar claro para quem lida com os jovens principalmente. O primeiro olhar de quem olha em sala, não é para o livro, é para alguém. A gente tem que ter isso em foco. Afetividade.Nós e eles vamos nos relacionar e nos amaremos em diversos níveis, inclusive no nível que lamentavelmente cito, o nível do ódio. Quando digo ódio como nível de amor, é que entendo que o contrário do mesmo, ou seja, o contrário do amor não é ódio, e sim o pior dos sentimentos, o sentimento de indiferença. Que mata sem ferir, que ofende sem dizer, que toca mas não sente, pois toc
a não como gente, mas como se estátua fosse. Esse nível é muito triste e triste o que temos visto. Muitos professores e alunos e funcionários e diretores desistiram...
Noutra situação do filme o rapaz pergunta a Bandeiras: “O que você quer”? O fato de não ter sido delatado por ele para a diretora em relação à destruição do carro da mesma, estava intrigando o rapaz. Aqui fica uma pergunta: “Ninguém faz nada de graça”? Será? Ou não será? Bem, o que me vem à cabeça nesse momento do texto— estou escrevendo como se uma gaivota fosse, atravessando o mar de marinheiro, no céu de brigadeiro— é que, o que entendo por graça , num sentido que ainda teológico, mas real em minha vida e na vida de muitos, é que ela significa favor imerecido. Sim é uma dádiva recebida por alguém que, como você e eu, pensa que ninguém faz nada de graça, mas quantas coisas recebemos que no fundo nada fizemos por merecer? È possível que possamos ser mercenários quando ao trabalho ( muitas vezes eu o sou, não me julguem), mas também deveremos ser quanto aos relacionamentos? Será que temos tão pouco que não possamos dar sem esperar em troca? Ou vivemos em todas as esferas como em “All Street”, onde se aplica diariamente na bolsa, esperando lucros fabulosos, lucros esses, frutos da miséria e da condição deplorável dos países pobres? Será que não fazemos isso? Eis mais uma pergunta que precisa ser respondida, e eu sinceramente não tenho resposta...
Vi também no filme uma coisa que acho que todos sabem mas acho que todos não sabem. Se já sabem, vão saber de novo, se não sabem, vão saber agora.
As pessoas reagem em momentos diferentes e de modos diferentes aos mesmos estímulos.
Quando digo reagem, me refiro não somente positivamente, mas também de modo que essa reação
de caracterize em verdadeira desmotivação. Somos apressados. E como apressados somos, impacientes nos tornamos. O impaciente enxerga mal. Por isso, conclui mal. Se concluir mal, faz o mesmo serviço muitas vezes para até que então, acerte, se assim o acertar.Mas perde tempo, e esse não volta mais. Precisamos ser pacientes. Não se aprende a dançar de uma hora para outra. Deixa-me falar uma coisinha: A gente pode até trabalhar no piloto automático, que as coisas ainda podem acontecer e resultados aparecerem mascaradamente. Mas se o aluno desistir meu caro, já era! Não há mágica que dê resultado, pois se ele não sair da escola porque não foi reprovado, sairá porque o ensino é fraco e ele nada aprendeu. Além do mais, podem sair por ele, outros que insatisfeitos ficaram, devido ao esforço que fizeram, ser comparado e medido com a balbúrdia dos que nada fizeram e assim sucesso obtiveram. Se correr o bicho pega se ficar o bicho come! Ponho minha fé no bambu japonês, que leva cinco anos sem gerar nenhum resultado, mas que no sétimo ano começa a crescer e pode chegar até 30 metros de altura! Sim, preciso não perder minha fé e ter mais uma vez, paciência para crer que ainda que não haja e por isso eu realmente não veja o bambu, as raízes estão lá, crescendo se desenvolvendo, nas “trevas” do subsolo. “Taí”, é uma boa sugestão. Ao invés de “cobras e serpentes” sermos, minhocas nos tornarmos. Para só assim arejar os e nutrir os terrenos ,nos quais as raízes daqueles que nada apresentam, nada tem, que sempre nos decepcionam, onde notas não há, estão a se desenvolver, e acreditar que apesar de bambu não haver, raízes há. E se há raízes, bambu surgirá, ainda que por outros e não nós, ser contemplado e admirado.
Por falar em minhoca, ser que vive no escuro, nas trevas, na obscuridade, existe e sempre há de existir motivos para as desmotivações. Sempre há. Tudo tem uma gênesis, um porquê, uma causa. Só Deus não tem causa. Tudo mais tem. Como as minhocas, e se possível for, pois não somos psicólogos de direito, precisamos descobrir nas trevas da historicidade de cada um que passa por nossas vidas, a gênesis do sofrimento e da angústia, pois só assim essa angústia terá sentido, porque o sofrimento por si só, não muda ninguém e é manifestação da maldade e de falta de conexão com estruturas vitais (sono, vida, alimentação, doenças, reprodução, reação, pessoas etc.). Diante da procura ou do descortiçar na dissipação das trevas que impedem que vejamos o que realmente é, possamos senã
o curar ( acho quase impossível isso), caminhar nesse sentido, onde a estrada seja a paz e o bom relacionamento. Todo mundo sabe que muitos sentimentos nunca são, e para muitos nunca serão divididos com alguém. Talvez, na pedagogia da vivência cotidiana, sejamos ou nos tornemos esse improvável alguém. Eu já vi gente era gente mais improvável que me desse à mão em minha queda; foi gente que gente foi, ao dar-me a mão para me levantar. Você pode ser esse tipo de gente. Quem dirá não será você, mas o outro que em você, venha confiar.

Espero que não tenha até agora sido chato. Confuso eu aceito, mas chato me entristece.

Passemos agora para a questão dos objetivos solenes.
A questão familiar é muito importante. Familiar dos alunos e familiar dos professores. Todos nós trazemos para a escola a nossa historicidade, nossos medos e frustrações. Isso pode fazer com que tenhamos objetivos solenes, porém com motivações nem tanto. Vimos isso na questão de dançar por dinheiro no filme. Bandeiras queria que eles dançassem para se tornarem alunos melhores, pessoas melhores não só para os outros mas para si próprios. O prêmio era importante sim. Quem disser que dinheiro não é fundamental é um hipócrita, mas fazer dele o objetivo de uma vida ou de um imenso esforço, é reduzir essa mesma vida à simples satisfação de comprar sem nunca estar satisfeito. Deixo aqui um alerta. É preciso desenvolver a emoção chamada satisfação, pois ela pode nos livrar de grandes problemas. Voltando, não é o que fazemos que importa, é porque fazemos. Pois se soubermos porque fazemos, talvez assim possamos voltar e resolver algumas coisas que fizemos ou estamos realizando de maneira equívoca. Inclusive quanto às nossas certezas. Aliás, nossas certezas não são as certezas dos outros. Bandeiras estava aberto ao estilo musical dos alunos, foi flexível mas não foi fraco, ainda que sofrendo. Nesse momento ele foi mais professor ainda, pois se tornou aluno, aprendendo e juntando os dois estilos musicas. Juntou o clássico com o hip-hop.
Vai agora m
ais uma grande lição do filme para mim e creio para todos que se propuseram a nele caminhar.
A ligação, a afetividade acontece muito antes que o ato físico, que o toque ou a aproximação corporal e visível acontecer. Vimos isso quando o rapaz foi preso e ligou para o professor Bandeiras, afirmando que naquele momento, ele foi a única, veja bem, a única pessoa em que ele pensava. Existem pessoas que estão pensando em você neste momento, em nós, sem que a gente se dê conta disso... Por isso, por causa dessa falta de percepção, poderemos frustrar muitos e não atingirmos nenhum objetivo por nós idealizados. Há uma iminente sede de nós nos outros ...

Vou agora jogar pedra no telhado, já sabendo que o meu é de vidro e de peque
níssima espessura.

Muitas vezes as pessoas, professores e alunos (sempre vou incluir os professores, ainda que sabendo que se trata de uma questão trabalhista, de uma relação patrão-empregado que visa o pagamento por um serviço prestado, serviço esse, que tem que ter qualidade e objetivo, devendo se eximido de problemas pessoais que venham atrapalhar) precisam é de ajuda e não de suspensão ou demissão. Aqueles garotos não eram maus. Muito menos o professor de matemática que não achava as aulas de dança importante. Todos estavam muito confusos, e na confusão, precipitações são tidas como atitudes ponderadas (a sala da detenção). Não sou ingênuo.Sei que existem pessoas que são más pois o mal não existe com ente, ou seja, como ser. O que existe são atos de maldade efetuados por pessoas más. Mas será que estamos por causa do aumento da violência, estamos rotulando todos como violentos?
Penso que algumas pessoas e alguns alunos precisam realmente de um atendimento personalizado. Precisam de tempo e se não o tivermos temos que arrumar. Acho que o SOE precisa estar mais próximo não somente dos alunos, mas também de nós professores numa parceria tipo retroalimentação, cuja a sobrevivência de ambos dependa disso. Quando digo dos professores, digo para os professores que também precisam repensar sua relação com o mesmo, visto que muitos nunca se achegaram e muitos acham até desnecessário a existência dessa jurisdição. Atendimento individualizado pode prevenir atos indisciplinares em gru
po, mas pensamos muitas vezes ao contrário. Pensamos que palestras evitarão atos individuais e essa certeza muito nos trai.
Acho que cada aluno, independente se envolvido em alguma infração ou indisciplina, precisa de um tempo à sós com o SOE. Tempo que não pode ser encarado com desperdiço, mas como um investimento nele, na pessoa, como também na nossa escola, que terá um diferencial entre as demais.
Continuo.
Nesse momento, lembro da parte do filme em que as coisas mudaram. Os alunos já não são os mesmos. Mas também Bandeiras mudou. Ele já não é quem era. Já não dá aulas só para a elite e junta todos num só grupo. E também percebe que apesar de querer ensinar um estilo de dança, ele foi além, ensinou um estilo de vida baseado a valorização da estima, da valorização dos indivíduos como seres importantes que são, ainda que por muitos não encarados com tais. Percebe que novos valores foram passados e o que se é sentido é “divino”. Visto que a confidência e confiança também já não são tão incomuns e impossíveis de acontecer. É quando as pessoas mudam. Quando confianças são estabelecidas e passam a andarem juntas. Valores são construídos e não impostos. Como disse, meu telhado é de vidro e não sou ingênuo. Às vezes as coisas não dão certo. Realmente não dão certo. Mas existe uma diferença que muitas vezes nos confundimos nela. A diferença é que se as coisas deram errado, não significa que falhamos. Nós falhamos quando as coisas dão errado e nos paramos. Paramos de acreditar. Paramos de ter fé. Paramos de busca a utopia da perfeição. Alguém disse que as utopias são como o horizonte, o vemos mas nunca o alcançamos. Mas é o horizonte que nos faz caminhar. Sem ele, estamos parados.Ele é o alvo nunca atingido mas o motivo da nossa caminhada... Se derem errado, mas continuarmos crendo, não deram errado. Foi apenas uma constatação de uma caminha inapropriada para o momento ou para a situação. Cabe aqui um alerta. Pode ser que se darem certo e se sempre continuarmos acreditando, poderemos despertar ciúmes nos outros, pois representaremos uma ameaça. Vale aqui deixar bem claro que apesar de atitudes individualistas que porventura tomemos, somos um grupo e não estamos em guerra entre nós. Bem eu acho que não. Estamos? Infelizmente em se tratando de escola, quando um erra, pode acontecer de todos errarem também. Fica o alerta que devemos nos cobrir. Descer de nosso “podiozinho” de 1ª lugar e começar a ajudar quem precisa, ainda que quem precise, não grite por socorro, ou por vaidade ou por medo de ser rejeitado e censurado. Não precisamos e não devemos expor as pessoas para ajudá-las. Podemos ser subversivos no socorro ao colega. Saibam que onde quer que estejamos, pessoas inseguras ali estarão também. E na insegurança, as reações são diversas. Precisamos estar preparados para não revidarmos “as balas” e semearmos a paz, pois tenho visto que em nossas falas, sempre tem havido uma pitada de guerra. Não me eximo. Mas Jesus nos alertou que pedras podem e vão ser atiradas em nós, mas ai de nós se ele nos pegar com pedras na mão...
Encontramos no filme outra linda lição: Precisamos acima de tudo nos lembrar que na vida,
apesar dos obstáculos, nós temos escolhas. Por vezes escolhemos colocar em nossos relacionamentos, algumas linhas invisíveis mas poderosas que separam, excluem, machucam, ainda que invisíveis sendo. Acho que nem sempre isso acontece conscientemente. Penso que nosso sistema de autodefesa tem gerado em nós, preconceitos e “apartheids”, gerado na obscuridade da alma humana, onde a razão não entra e por isso não consegue justificar.
Vimos também que a fortaleza não está no ato ou atitude de violência, mas sim, na sutileza da confiança. O forte não é aquele que agride, mas aquele que decide não revidar. Fato bem claro quando o rapaz estava com a arma e podia matar aqueles que tinham levado à morte, seu único irmão. Mas decidiu não assim fazer.
Nesse ponto, entendemos que fazer as coisas pelos outros é muito bom e louvável, é um ato de amor e solidariedade, mas isso pode se perder quando nos perdemos de nós mesmos, e agimos baseados na imagem que vão ter de nós, quando deveríamos agir segundo o bem que sentimos, fazendo as coisas por nós mesmos e não pelos outros. ( Os alunos devem estudar pelo conhecimento em e pelo prazer e liberda
de que ele dá, e não pelas notas que poderão tirar). Eles no final estavam dançando por eles mesmos, já não era para se apresentarem. Foi quando ganharam a maior das vitórias que é o reconhecimento deles por eles mesmos. A satisfação de serem não somente pessoas que sabem dança, mas se tornando pessoas dançantes, excedendo o fato de dançar. Eles não fazem, eles se tornam o que fazem...
Terminando — agora é de verdade e sei que já esgotei a paciência — , quando se ganha o coração das pessoas, fica mais fácil fazerem com eles façam o que queremos e desejamos, e até mesmo em nossa ausência, elas farão. Isso não é uma regra, pode ser que algumas façam sem isso acontecer, mas das todas que nós ganharmos, 100% farão.
Bem, obrigado pela oportunidade de expor um pouco do que o filme me ensinou e atestar que o mesmo muito me ajudou...
Professor Marcelo Pinto.

3 comentários:

Jania Teixeira disse...

obrigada pelo caminho pois trilhei pelo seu conhecimento afim de chegar tbm a um determinado destino em VEM DANÇAR COMIGO

REMÍZIO disse...

Professor Marcelo,
Sou Remízio Petri, acadêmico da Universidade Federal de Rondônia. Faço LETRAS na modalidade à distância pela Universidade Aberta do Brasil. No momento estou cursando a disciplina de Didática, tendo que fazer uma análise sobre este filme, "Vem Dançar", me puz a pesquisar no Google sobre várias interpretações existente e sinceramente acho que realmente do que nossos país precisa para um melhor desempenho da educação nacional, são de professores que pensam como você. Sei que é verdade sobre o salário baixo dos professores. Isto são fatos que não podemos negar, uma vez que são responsáveis por formações de nossos trabalhadores das juntas médicas, parlamentares, Júdiciários, executivos, etc. Mas apesar de toda esta falta de incentivo parlamentar e salárial, ainda acredito que o futuro do país é a educação e não é por não serem reconhecidos (os professores) que devem se entregarem ao trabalho que pode direcionar o futuro da nação. Temos, eu como futuro professor que pretendo ser, olhar não só para o futuro dos decendentes da população mas também pro nossos. O que queremos para nosso decendentes? E o olhar fraterno para com nossos semelhantes? Será que a humanização são contos ou lendas que só existem no coração de nossas crianças? Será que a humanidade para de acreditar em um futuro promissor por parar de acreditar em histórias infantis?
Devemos abrir nossas mentes e olhar ao fundo do poço aniquilando a sujeira que há dentro. Devemos nos concientizar de que somos investidores de uma sociedade heterogênea que proucura homogeneidade. Só fazendos o que somos treinados para fazermos é que conseguiremos igualdade social aos olhos de todos. Sabemos que este é nosso trabalho e o encaramos com um dever mas não é por isso que devemos esquecer de nossos direitos. São com futuros cidadãos humanitários que seremos reconhecido como uma das classes sociais mais importantes para a evolução humana.
Obrigado pela oportunidade e me desculpe se postei algo que possa bater diferente das idéias de muitos. À final estamos em um país livre e democrático. Esta foi apenas uma força de expressão, já que nosso país pelo menos tem a liberdade de expressão como lei. Pena que muitas vezes não somos punidos pela legislação mas sim por, uma falta de visão e entendimento igualitário, ou por corruptores que aflinge o sistema para usrpar o menos favorecidos afim de seus interesses.
Novamente obrigado e me desculpe por algo.

REMÍZIO disse...
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